Por que a sonhada promoção no trabalho pode virar um pesadelo

Uma das maiores frustrações na carreira de Marcos Clowes não foi ser demitido. Mas, sim, aceitar uma promoção.

O motivo? Clowes foi promovido apesar de não ter a experiência necessária para exercer um cargo de gerência. Em última análise, ele descobriu que não possuía habilidades sociais fundamentais, como liderança, para ser bem-sucedido na nova função e continuar progredindo na empresa.

“Me sentir despreparado minou minha confiança”, conta Clowes, consultor de cadeia de suprimentos, transporte e logística, em Stafford, no Reino Unido.

A insegurança afetou, sem dúvida, seu desempenho. E, no fim das contas, ele acabou saindo da companhia em que trabalhava há dez anos para buscar um emprego que se adequasse mais ao seu perfil.

Na maioria dos casos, as promoções são seguidas de e-mails de parabéns e chopes de comemoração, mas alguns funcionários acabam descobrindo que assumir um cargo mais sênior – na hora errada – pode prejudicar suas carreiras.

Segundo Diane Domeyer, diretora-executiva da Robert Half, empresa de recrutamento americana, as promoções podem ser um tiro no pé quando os funcionários não adquirem as habilidades necessárias para avançar para uma determinada posição, em geral, de alta gerência. Ou quando simplesmente não querem exercer uma função mais desafiadora, apesar da oportunidade.

“Ou você não tem as habilidades para ser bem-sucedido ou não tem motivação para fazer o trabalho”, explica Domeyer.

Se sentir obrigado a assumir uma posição mais sênior devido à política da empresa pode ser especialmente prejudicial. Os funcionários levados a ocupar um novo cargo por pressão de chefes ou colegas estão destinados a um desempenho medíocre. É o que diz Tacy Byham, presidente da DDI, consultoria de recursos humanos baseada nos EUA.

De acordo com a DDI, aqueles que se sentem forçados a aceitar uma promoção ficam três vezes mais insatisfeitos com a nova função e duas vezes mais propensos a pensar em pedir demissão.