POETICAMENTE FALANDO

Valdeci Duarte

Eis a oitava obra poética do escritor Jonas R. Sanches. Ao aceitar a incumbência de prefaciá-la, estava consciente da responsabilidade da missão. É evidente que cada poema exposto a seguir, nasceu de uma ideia, em seguida organizada, lapidada, transformada em versos e por isso merece uma atenção redobrada. Eis o desafio ao leitor: desvendar o fantástico mundo de “Poeticamente Falando”.

A obra vem recheada com 97 poemas que devem ser calmamente apreciados. Em seus versos há o entendimento da rica exposição do “eu” lírico de Sanches, que vai ao longo da sua exibição sutilmente “falando ou apenas olhando o mundo e descrevendo coisas sentimentais que desabrocham” e muito mais.

Foto: Cedida
Foto: Cedida

Observa-se uma busca incansável pela liberdade da alma poética de todos os grilhões que a aprisionam. Eis um jardineiro cósmico, um trovador intergaláctico historiando os pensamentos em constante jornada em busca de se libertar dos lamentos, apoiando-se aqui e ali na fé que, posta em prática, pode mover as montanhas existenciais, fortalecendo “o físico e o espiritual”.

O olhar, em “Poeticamente Falando”, mostra o desejo incontido do poeta por uma liberdade literal, em seus encontros e desencontros consigo mesmo, dentro dos cenários em que se depara. Em cada verso exposto, encontra-se suculenta obra ricamente entalhada, às vezes em rochas cósmicas, às vezes na carne, em alguns casos, no sangue e no aforismo do autor.

Cada poema é uma viagem no fazer literário de Sanches. Aos leitores não resta outra opção que não seja apreciar cada palavra, cada verso, cada estrofe, cada composição poética e se encharcar em deleite de paixão, de encantos e desencantos desses inúmeros mistérios esculpidos em lindos versos, belos poemas, às vezes no corpo, às vezes na alma que lamenta seus “desalentos lançados ao vento”.

É possível assistir, dentro do fazer poético exibido, uma calma aqui, um reboliço ali, um “parto poético flamejante” acolá. Mas em cada conversa é facilmente distinguível a familiaridade em que são apresentados temas transversos, ao longo de toda a obra.

O jovem conversador, em “Poeticamente Falando”, diz em elevado tom poético que são situações “além de palavras (…)/que o poeta contorce e retorce e embeleza/colocando na estrofe dragões e mil luas/refletindo as pupilas de um bardo trovador”. Uma visão fantástica do pobre homem mortal, mas perpétuo como fazedor de versos, criador de sons, sonhos e imagens através da poesia.

Nesta obra o leitor atento sentirá o aroma das estrelas, a chuva que cai docemente. Viverá o bailar de uma canção, enquanto alimenta seus sonhos de infância, sua alegria de viver e contemplar o brilho das estrelas solitárias ou em constelações, por toda a noite, seja doce ou, seja amarga a madrugada.

De tudo o leitor terá mais certeza de que “um amor será sempre um amor” e que por isso não se pode trocá-lo por efêmeras sombras. Nisso o poeta enfatiza que continuará pensando em sua amada, mesmo que ela não pense mais nele. O coração do poeta não aprendeu a mentir, independente da galáxia que se encontrar.

Por fim, o autor seguiu movimentando-se em sua obra “vivendo ou apenas morrendo ou querendo descrever o que os olhos” pudessem ver, mas o coração inevitavelmente sentiu, viveu e apaixonou-se, tudo isso, apresentado de forma livre, leve, solta e poeticamente falando.

Aos leitores de Jonas R. Sanches resta desejar uma excelente viagem na leitura e no deleite desses versos. A todos, boa leitura!