Olha a PM!

Fotos: Folha do Acre/Da Assessoria/Agência Contilnet

Depois de romper pública e definitivamente com o senador Gladson Cameli (PP), o também pré-candidato ao governo do Estado pelo PSL, coronel PM Ulysses Araújo, arrumou briga com o prefeito de Cruzeiro do Sul.

Democracia passou longe!

Segundo denúncia feita por Ulysses, Ilderlei teria demitido um servidor comissionado da prefeitura depois que ele declarou voto no coronel.

Perseguição

Barto Júnior, um jovem de Cruzeiro do Sul, é o nome do servidor demitido por Ilderlei Cordeiro, apoiador este, como sabemos, da pré-candidatura do senador Gladson Cameli pelo PP.

Denúncia pública

Muito bem relacionado na sociedade local, Barto até o início da semana era gerente da Secretaria Municipal de Saúde da prefeitura cruzeirense. Na rede social Facebook, Coronel Ulysses veio a público, na noite da última quinta-feira, para denunciar que Barto Júnior havia sido demitido do cargo comissionado pelo prefeito Ilderlei Cordeiro, porque havia descumprido a orientação do alcaide de apoiar Gladson Cameli como candidato a governador.

Solidariedade

“Liguei para prestar minha solidariedade e ele me falou que foi demitido porque se negou a apoiar o pré-candidato do PP e por ter dito com todas as letras que iria apoiar a minha candidatura. Isso custou seu trabalho e seu sustento”, denunciou Ulysses.

Amigos de infância

A assessoria de Gladson nega o episódio. Mas mágoa do senador em relação a Barto Júnior se deu porque o rapaz também é muito ligado ao pré-candidato do PP, sendo, inclusive, seu amigo de infância.

Ele nega

Por meio de sua assessoria, o senador Gladson Cameli negou quaisquer atos de perseguição ou participação na demissão do rapaz, ao qual o parlamentar não fez a menor referência.

Resposta em forma de nota

Em nota, o senador alegou o seguinte: “A assessoria de imprensa do senador Gladson Cameli informa que ele não irá se manifestar sobre um assunto relacionado a uma esfera de poder, no caso a municipal de Cruzeiro do Sul, que não é de sua competência”, diz o texto. “Não compete ao senador interferir ou decidir sobre assuntos de restrita competência da Prefeitura de Cruzeiro do Sul”, acrescenta o autor.

Segunda resposta por escrito

Instada a se pronunciar sobre o assunto, a assessoria de imprensa do prefeito Ilderlei Cordeiro, que assinou o decreto de demissão, também enviou nota à reportagem.

Justificativa

“A Prefeitura de Cruzeiro do Sul nega toda e qualquer tipo de perseguição política como causa de demissão deste funcionário ou de qualquer outro. Infelizmente, a Prefeitura teve que tomar a medida em razão do limite de gastos com pessoal, que está acima do estabelecido pelo Tribunal de Contas”, disse a assessora Vanísia Neri.

Mais demissões

“Assim, outros funcionários da saúde, como também de outras pastas do município, foram ou serão demitidos em razão das adequações que o município deve fazer para baixar esse índice. Inclusive, no próprio Centro de Diagnóstico, local onde o servidor era lotado, outros funcionários também foram demitidos por esta razão, não tendo o fato nenhuma ligação com perseguição política”, conclui a manifestação da Prefeitura.

Nada declarar

Procurado, Barto Júnior não quis comentar o assunto. A amigos, ele confirmou que a origem de sua demissão seria de caráter político, uma vez que assessores do prefeito Ilderlei Cordeiro, na semana passada, teriam se reunido com todos os cargos de confiança da prefeitura e exigido que seus ocupantes passassem a se manifestar, nas ruas ou em redes sociais, em defesa da candidatura de Cameli.

Na rua da amargura

Como Barto Júnior havia dito que votaria em Ulysses, apesar de sua amizade com Gladson, depois dessa manifestação, para sua surpresa, ele foi convidado a se retirar do cargo.

Contrassenso

E por falar em Cruzeiro do Sul, o número de pessoas que contraíram malária andou subindo pelas bandas do município. Ainda assim, o prefeito resolveu demitir agentes de endemias.

Efeito dominó

Além de Barto Júnior, nas próximas horas, devem ser processadas mais demissões na Prefeitura de Cruzeiro do Sul, principalmente na área da saúde.

Desfalque

Na coordenadoria de combate às endemias, vinculada à secretaria municipal de saúde, as demissões devem alcançar ao menos 50 pessoas.

Gravidade

As demissões, além do clamor social, se tornam ainda mais graves porque são os agentes de endemias que ajudam no combate à proliferação da malária, doença endêmica na região, já alcançando índices de epidemia.

Prefeito sem-noção

Um servidor da área, ao perceber o descontrole dos índices da doença no município, anunciou ter pedido para deixar o cargo. “O incompetente do prefeito de Cruzeiro do Sul demite 300 funcionários. Entre esses 50 foram da área de endemias, enquanto a malária se alastra, ele demite funcionários, sem pena nem dó de Cruzeiro do Sul, principalmente os moradores dos ramais”, disse o demissionário.

Falta de medicamento

”Com o tempo chuvoso, a malária está aumentando cada dia mais, sem falar na falta de medicamentos para a cura da doença em crianças (como primaquina de 5 mg)”, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada.

Coletiva de imprensa

A assessora de imprensa Vanísia Nery negou que as demissões cheguem ao número de 300 pessoas e que, na área de endemias, também sejam da ordem de 50 agentes. Segundo ela, para que as coisas sejam devidamente esclarecidas, o prefeito Ilderlei Cordeiro deve conceder uma entrevista coletiva, nesta sexta-feira, 18, para falar sobre o assunto.