O sacro ofício

Lorena de Cárita Dantas Tuma

O poeta apegou-se ao sacrifício,
Documentou a vida que passa,
A que se detém,
A vida que outra vida para,
A ordinária, a insólita, rara.

Para descrever a vida de outrem,
A sua ofertou,
E fez disso seu sacro ofício.

Escrevia o que via,
Nas ruas o que ouvia,
E o pensamento oculto,
Que a voz não o permitia,
Em bom tom o redigia.

Desapercebida,
Coisa não havia:
Crimes comuns,
Segredos, sussurros,
Ameaças, declarações,
Insólitos insultos.

Sem esmorecer
Do sacerdócio incansável,
Sob o sol todos os dias,
Se foi ao consumar a sua sina,
Até da desgraça fazer rima!

Arquiteta e Urbanista