O melhor futebol

José Augusto Fontes

Aos poucos estou me desvinculando do jeito tradicional de torcer por um único time, para passar a torcer pelo melhor futebol. Torcida exclusiva, só vai restar pela Seleção Brasileira. Desde muito novo comecei a gostar de futebol e sempre admirei grandes craques, grandes jogadas e grandes times, estando ou não com as cores do clube que se incorporou ao meu gostar. Mesmo tendo aderido ao jeito popular de escolher um time para filiar as emoções, meu encanto sempre foi pelo futebol.

É tradição do brasileiro ter um time de futebol, desde criança, porque esse esporte é mesmo uma paixão nacional (e mundial) que se enraíza em vários contextos sociais, tais como família, escola, trabalho, dentre outros tantos. Identifica-se o vizinho João como Vascaíno ou o colega de escola José como Palmeirense e por aí vai. Houve até um tempo em que os jogadores dificilmente trocavam de time, o que depois veio se modificando, sob as ordens de vários fatores e valores.

O Rei Pelé, no Brasil, jogou apenas no Santos. Garrincha é o mito do Botafogo. Mas isso foi mudando. Rivelino, por exemplo, é lembrado como jogador do Corinthians e do Fluminense. No exterior, Ronaldo, o Fenômeno, jogou no Barcelona e no Real Madrid. As mudanças passaram a ser a regra, mas ainda existem exemplos atuais de ‘fidelização’: Rogério Ceni só jogou no São Paulo e Lionel Messi, o melhor estrangeiro do mundo, é exclusividade do Barcelona, desde novinho.

A dinâmica do futebol tem forças próprias decisivas que driblam preferências que pareciam claras e driblam até o inexplicável futebol clube. Beija-se hoje o escudo do rival de ontem. Por outro turno, as cores e paixões são muito naturais e integram o contexto, de forma indissociável. Isso gera paixões e até rivalidades. Eu mesmo já tive paixões, mas agora, no meu mundinho e nas minhas singelas preferências, vou optar por torcer pelo melhor futebol, pelo que mais tocar no sentimento de momento. Enraizada, só mesmo a paixão pelo futebol.

Muitas vezes um time pelo qual torci teve alguém da comissão de frente totalmente sem noção ou de comportamento indevido. Não posso torcer por isso. Seria querer que desse certo algo digno de receber cartão vermelho, feito por pessoas erradas. Não abraço esse tipo de paixão. Já vi muita coisa erada no futebol e quando algo estiver certo, quero reconhecer e aplaudir, independente de cores. Quero ser livre para ver, sentir e aplaudir. No caso do futebol, não quero ficar cego de amor. Nem torcer contra um time apenas porque não é o meu.

É claro que eu entendo quem declara amor eterno. Como disse antes, esse esporte é uma paixão. Mas eu, agora que estou no segundo tempo da vida, vou vestir uma camisa multifacetada e não quero mais me vincular a apenas um time. Declaro meu amor de forma mais ampla e seu destinatário é o futebol. Bom, tem a exceção da Seleção Brasileira. Mas, nesse caso, ela vai mesmo ser a melhor, quase sempre. Em raras vezes que não for ou que perder para ela mesma, ainda assim, eu seguirei fiel. Essa será ainda uma paixão cega.

Cronista