NEYMAR

Divulgação

José Augusto Fontes

Desde menino viu que a bola é mesmo um mundo a seus pés. Nesse universo que vem percorrendo ele cria atalhos, ultrapassa barreiras, invade retrancas, brinca com os limites e desfila nos gramados, como as estrelas viajam no firmamento. Torcidas e deuses o aplaudem, cobiçam, admiram, desdenham e se contradizem. Jogos são exibições e oportunidades para surpreender. São como shows para registrar novas marcas. Ele chegou rápido aos trezentos gols na carreira, assim como supera marcadores e recordes. Cem gols pelo Barcelona também vieram num passe mágico.

Há nele uma descontração que o diferencia, uma habilidade que o identifica, uma alegria que nos atrai e renova. Há nele a leveza do inexplicável futebol, esse que cativa multidões em todo o mundo. Apaixonados por futebol admiram os fora de série, que estão além da imaginação, como se fossem de outro planeta. Neymar é do imponderável. Pela Seleção Brasileira, já passou dos 50 gols e está atrás apenas de Romário, Ronaldo e Pelé, formando com esses um quarteto de astros iluminados. Parece certo que em 2018 já terá superado Romário, em gols e jogos. Com isso, ficará muito perto de Ronaldo. Bola pra frente!

Messi é outro grande craque, joga sério, trabalha e produz, tem talento e resultados. Neymar brinca e se diverte. Um parece estar sob vigilância; outro faz peraltices. São gênios! Um é cientista; outro é inventor. Os adversários batem muito menos em Messi porque o respeitam. Batem mais em Neymar porque o invejam. Messi é tango e valsa. Neymar é carnaval. Desfila com samba, pagode, frevo e axé. As características são diferentes e é perda de tempo querer definir o melhor. Que a amizade deles prevaleça como divindade nesse esporte tão pagão. O prêmio de vê-los em ação é mais valioso.

Além da alegria nas pernas e no olhar, há peraltice imoderada em Neymar. Além da meninice, há ainda uma inexperiência envolvente, imponderável. Se os adversários não assimilam a alegoria e os adereços, ele ainda fica irritado, mas logo vai notando que os outros não entendem como ele consegue ser tão criativo e solto. Já começa a ficar mais sereno. Seguindo assim, todo o conjunto vai fazer dele um expoente marcante e perene. Sobre ele, há poucos prognósticos previsíveis. Sobre ele, tudo parece ter a dimensão da grande bola do planeta.

Agora no começo de agosto de 2017 Neymar foi comprado pelo PSG, da França, com contrato de cinco anos. Ele vai ganhar inicialmente mais de onze mil reais por hora, mais de oito milhões e trezentos e trinta mil por mês, ou cem milhões por ano. Foi contratado por 222 milhões de euros ou 816 milhões de reais, na cotação de 03/08/17. É a maior contratação da história do futebol. É claro que são valores estratosféricos. Como seria bom se outras áreas do esporte fossem bem remuneradas. Se as artes e as ciências fossem bem sustentadas. Se os professores fossem valorizados… Bom, esse é outro papo, em nível de importância celestial.

Neymar joga de modo imprevisível e brilhante, dribla até a criatividade. Os adversários se iludem, como quem tenta parar um trem que desce da colina. A tarefa de parar os grandes craques é vã. Não se pode saber para que lado eles vão, que caminho seguirão, ou se estão a um passo de surpreender a surpresa, com alguma mistura de magia e genialidade, tango e carnaval, numa fórmula restrita aos imortais.

Neymar é para seguir, é para superar e para conquistar. O brilho dele reflete prazer em todos nós, que com os olhos e os corações, também erguemos as taças. Sem a luz dos gênios, o futebol se escurece e se torna um jogo de botões, que pode ser limitado a uma mesa estática, desenhada e analisada por quem não dispõe da imaginação inexplicável. Todo dia os analistas tentam, mas apenas comentam. Não há como definir u Neymar inteiro, pois ele é um mutante inalcançável.

Há nos grandes craques uns movimentos incalculáveis, uns modos não elencados, uns moldes que não são produzidos em séries. As avaliações e definições não lhes bastam. Eles não correm para a linha de fundo ou apenas para os gols, eles passam das redes e das linhas. Eles saem dos gramados para a eternização e para a glória, porque sem eles o futebol seria apenas um esporte.

Vida longa para Neymar! Que seja imperdoável, sem jamais perder a trapaça do drible. Que seja inconfessável, sem jamais perder a ternura do gol de placa! Que em cada parágrafo da sua carreira o nosso camisa dez seja surpreendente e desconcertante. Estaremos vestindo a mesma emoção, nas arquibancadas e nas telinhas, acompanhando com os olhos e com os corações, vibrando com ele, sendo também meninos.

Com a ajuda dele seremos capazes de vencer as adversidades da vida, que estão além das quatro linhas. A vida no globo nem sempre é vitoriosa como o sucesso do craque ou como a arte nos retângulos dos gramados. Mas em qualquer desses palcos é possível tabelar com os sonhos, para ganhar alegria e emoção. Somos todos sonhadores. E com Neymar, somos todos vencedores!

Cronista