‘Minha fé ajudou’, diz procuradora que superou câncer de medula óssea

Kátia com o cabelo raspado no 5º mês do tratamento e atualmente em seu gabinete no MP-AC - Foto: Arquivo pessoal/Aline Nascimento/G1
Kátia com o cabelo raspado no 5º mês do tratamento e atualmente em seu gabinete no MP-AC – Foto: Arquivo pessoal/Aline Nascimento/G1

Há quase dois anos a procuradora de justiça e atual corregedora-geral do MP-AC, Kátia Rejane, de 50 anos, recebeu uma notícia que mudou a rotina, preocupou a família e a fez ficar longe do trabalho. Kátia foi diagnosticada com mieloma múltiplo, um câncer da medula óssea associado a uma doença rara chamada Síndrome POEMS. A procuradora falou ao G1 sobre o tratamento, o apoio da família e a superação da doença.

O diagnóstico veio em dezembro de 2014 e Kátia iniciou o tratamento em abril do ano seguinte no Hospital do Câncer AC Camargo, em São Paulo (SP). Kátia descobriu que era portadora da síndrome após surgirem inchaços nas pernas. Inconformada com o diagnóstico de disfunção vascular, dado por alguns médicos no Acre, a procuradora buscou ajuda em outro estado.

“Comecei a fazer exames mais apurados e foi quando o neurologista disse que a missão dele terminaria ali e me passaria para um oncologista. Naquele momento tive um impacto. É uma doença muito rara, não tem muitos estudos sobre ela. A literatura mais recente diz que eu poderia tomar um remédio, mas não era liberado pela Anvisa, e caríssimo, R$ 17 mil uma caixa para 28 dias. Eu teria que ser submetida a um tratamento de quatro meses”, contou.

Sem muita informação sobre a doença, mas sabendo que precisaria se afastar das atividades que exerce no Ministério Público do Acre (MP-AC), Kátia disse que retornou ao Acre para organizar algumas coisas.

Quando foi para São Paulo ficou internada por causa de complicações na saúde. Ela acrescentou que uma médica ainda encaminhou o prontuário dela para os EUA e, a partir de então, recebeu uma notícia que a fez ter mais esperança.

“Fiquei internada por causa de uma infecção intestinal. A médica nos EUA trabalha com essa síndrome e disse que o único tratamento que seria eficaz era um transplante de medula, mas eu correria risco de morrer. Ficaria com o organismo sem defesa nenhuma e passaria por um momento muito crítico. Fiquei muito assustada porque uma gripe poderia me matar”, afirmou.

A esperança tinha se transformado em agonia, já que a procuradora precisava decidir – juntamente com a família – se seria ou não submetida ao transplante e arriscar a vida. Kátia foi submetida a um transplante autólogo – quando o paciente recebe as próprias células tronco. Ela revelou que nesse momento colocou a fé acima de tudo, se agarrou com Deus e recebeu o sinal positivo para dar início ao processo.

“Na época, falei com minha mãe e meu marido. Eles disseram que não iam opinar porque era minha vida. Uma missionária daqui [Acre] me ligou e disse que estava fazendo um oração e Deus a incomodou para orar por mim. Na oração, Deus disse que daquela doença eu não morreria. Tive medo de morrer, mas a partir daquele momento iniciei o tratamento”, pontuou.

Fé e apoio da família

Religiosa, Kátia disse que recebeu o primeiro sinal que seria curada ainda no início do tratamento. Foi durante uma visita a um templo envagélico após fazer a biópsia no consultório do oncologista. “Pedi para meu marido me levar ao Templo de Salomão. As portas estavam se fechando quando chegamos e o pastor começou a orar. Ele disse que quem tinha câncer receberia a cura e recebi”, revelou.

Todo tratamento durou cerca de sete meses e, como a maioria dos pacientes de câncer, Kátia ficou em uma ala isolada por algum tempo, perdeu peso e cabelo. A mãe, de 77 anos, e o marido se mudaram com ela para a capital paulista. A procuradora diz que o apoio da família, incluisve dos filhos, de 21 e 26 anos, que estavam distantes, foi fundamental para o tratamento.

“Quando o médico disse que iria fazer a quimioterapia e perderia o cabelo, não me assustei. Minha enteada levou um cabeleireiro no hospital, cortei curtinho, já me preparando. Acho que minha fé ajudou muito. Meu transplante foi um sucesso. O protocolo dizia que a medula iria pegar no 14º dia e pegou. Muitos pacientes da minha ala não pegavam. Foi tudo muito rápido”, comentou.

Atualmente, a procuradora retorna de quatro em quatro meses para fazer avaliações no hospital paulista. Quando avalia tudo que passou, Kátia diz que é um milagre, que teve sorte em ser encaminhada para os profissionais certos e acredita que nasceu de novo.

“Ainda sinto dores, mas são pouquíssimas e não tomo mais remédios. Todos os meus exames estão com as taxas normais. Aconteceu um milagre na minha vida. O apoio da família foi essencial. Meu marido ficou o tempo todo ao meu lado e minha mãe foi comigo. Tinha uma filha que fazia intercâmbio na França e queria largar tudo para ficar comigo, mas não deixei. Tinha certeza que iria ser curada e fui”, finalizou.

Portal G1/AC