MENOS QUE NADA

Lorena de Cáritas Dantas Tuma

Pouco importa se sou homem
Muito menos se sou mulher,
Se passo horas velejando,
Se naufrago, ou se nos desertos
Pereço à pé.

Embora humano me pareça,
Desse fato não tenho certeza.
Sou qualquer coisa “sui generis”
Ou qualquer coisa sem gênero,
E só, tenho o sol, não tenho solo,
Tenho o céu, e só.

Disfarçado nessa aparência de gente
Ainda que ostente
Esse rosto de humano,
Esses olhos de homem – que choram,
E essa boca que tem fome,
Não sou nada, simplesmente
E sou, estatisticamente,
Sem nome.

Arquiteta e urbanista