Meia volta, volver!!

Valdecir Nicacio Lima

Vi com simpatia matéria jornalística sobre o manifesto dos policiais militares através de suas entidades de classe, patenteando que os mesmos estão se apresentando nos seus locais de trabalho para cumprirem suas jornadas, mas estão fazendo isso vestimentas civis. Isso é excelente gesto pra sociedade porque mostra que as forças militares estão buscando o que nós, militantes de direitos humanos, sempre defendemos que é a aproximação com a sociedade através da reciprocidade de confiança onde o ser humano vê na figura do policial, um agente público ao seu serviço, sem que com isso ele seja leniente com suas obrigações constitucionais de servir e proteger.

Essa mudança de postura incentivada pelas lideranças de suas respectivas categorias representativas deixa para trás todo o ranço que as instituições vêm carregando nos últimos 50 anos, quando essas forças foram arrebatadas para atuarem como forças auxiliares da repressão e do apoio ao regime ditatorial que se instalou no país nos anos 60, cujas consequências danosas a sociedade ainda sofre e que infelizmente uns desavisados teimam em querer trazer todo esse trauma de volta pra vida brasileira.

É lamentável que estejamos em um ano eleitoral e que alguns estejam fazendo esse movimento com propósitos nada republicanos; Também é lamentável que a tropa, que até poucos dias estava se apresentando devidamente fardada em seus postos de serviços, de repente, num passe de mágica, aparecesse toda sem farda; É falta de habilidade na prática de manifestação de categoria que uns poucos estejam indo pra frente da sede do governo, parar o trânsito, e se indispor com a população para reivindicar melhorias pra categoria, especialmente fardamentos; Assim, também é importa que em nenhum momento eles falaram em melhorias de salários, promoções nem em jornada de trabalho; É depreciativo para o movimento que as lideranças estejam se reunindo em locais incomuns para traças estratégias de luta por suas reinvindicações; Assim como é lamentável que alguns candidatos a cargos majoritários e proporcionais se arvorem a ser o “pai da criança”, abusando inclusive da boa fé dos que no geral, nós, a população, estamos bem impressionados com esse movimento e acreditando piamente que o próximo passo a ser dado será contarmos com uma polícia atuante, altamente comprometida com a paz social e, quem sabe, chegaremos ao ponto de termos um padrão japonês de policiamento onde eles sequer usam armas de fogo.

Mestre em Direitos Humanos pela Universidade de Essex – Inglaterra