Mais conquista, superação e vitória

Foto: Cedida

Naqueles dias não tirei somente férias, tirei sorte grande. Vivi um tempo de euforia, mais conquista, superação e vitória. O Acre é lugar de gente privilegiada. Meu país é terra de encantos mil. O Rio de Janeiro é maravilhoso, uma das muitas belezas do Brasil.

Era chegado o mês de agosto. Cada dia ficava mais próximo da XXI Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, uma das corridas que me fez passar um semestre inteiro no planejamento e na expectativa. Nesse período, segui treinando e participando de pequenas provas na minha cidade, Rio Branco, a capital do Acre.

Eu não tinha vergonha de dizer que acreditava no futuro. Desejava seguir trabalhando muito para vencer cada vez mais e gerar mais momentos de encanto como aqueles. Passei dias alegres no Rio, apesar do clima de agosto não ajudar muito, variando entre chuviscos e frio. Infelizmente não foi desta vez que voei de parapente ou asa delta, mas acumulei mais um percurso de meia maratona concluído, este percorrido em tempo recorde, 21 quilômetros, no tempo de 2h, 08 min. e 20 segs.

Naqueles dias eu andava muito animado, com uma sensação de contentamento sem fim. Gostava dos meus colegas de trabalho. Tinha certeza que o melhor lugar para trabalhar era onde estava. Fiz do meu trabalho uma fábrica dos sonhos. Não foi difícil, bastou manter os ouvidos fechados e ignorar as constantes murmurações. Foi a partir da venda do meu tempo aplicado lá que passei a desfrutar de possibilidades sem fim.

Estava otimista em fortalecer os laços da minha família. Estar cada vez mais disposto a ser entusiasmado com as pessoas, com a vida, seguir sendo fiel à minha esposa e apesar de tantos problemas, acreditar mais no Acre e multiplicar a fé no Brasil.

Pois bem, não fui apenas correr, mas realizar um sonho: conhecer o Rio de Janeiro de perto e contemplar suas belezas naturais. Teve alguém para falar das desgraças que o Rio estava passando. Sempre tem gente do contra e de estima abaixo do nível do mar. Ignorei tudo o que ouvi a esse respeito, fui e fiquei mais espocante de felicidade. Passei um tempão caminhando, cantando e pulando de um pé só de alegria. Tudo isso era a certeza de que o melhor lugar da galáxia para estar, era mesmo no lugar em que eu estava. Não é o lugar que faz a pessoa, mas a pessoa que deve influenciar o lugar.

Aquela meia maratona, foi tudo de bom. Tive a melhor recepção do planeta, por conta da presença marcante da esposa, Analyne Felicio Duarte, do sogro César Felicio da Silva e do filho especial João Sorridente Duarte. A alegria não ficou apenas por conta da conclusão da prova, mas pelas companhias inesquecíveis que Deus proporcionou naqueles dias.

Logo na chegada, fui recepcionado por amigos envolvidos com o movimento cultural da cidade. Participei empolgado do programa de Carlos Rocha, da Rádio Mundial News FM do Rio de Janeiro, coordenada pelo simpático jornalista Paulo Roberto Accioli, com a presença dos colegas Bruno Black, Adriano de Alvarenga Azevedo e o cantor Amitrano Frederico. Todas elas, pessoas de imensurável humanidade, simplesmente amáveis, do bem.

É difícil não ter o que dizer com a visão inesquecível que presenciei em cada um dos pontos que passei, na companhia de aproximadamente 18,5 mil participantes da prova. Corremos em boa parte dos pontos famosos do Rio, especialmente na orla da avenida Niemeyer, Ipanema, calçada de Copacabana e Aterro do Flamengo. A largada da corrida se deu na praia de São Conrado, no posto 13, um ponto de referência para melhor localização dos moradores e turistas visitantes da cidade maravilhosa, além de ser ponto de guardas salva vidas.

Quando nos momentos de turistar pelos principais pontos daquela galáxia, passei no Museu do Amanhã, no AquáRio, no centro velho revitalizado e em alguns dos melhores lugares para contemplar algumas invenções e suas belezas naturais.

Em um dos teatros, conheci algumas estrelas, das mais simpáticas que encontrei no Rio. Não se tratam de estrelas da televisão, do cinema, políticos presos ou gente da sua excelência, o Pezão, que andam em jatinho de 2,5 milhões de reais, ou ainda das páginas policiais. Nada disso. Mas são estrelas maiores, umas meninas e meninos, quase todos sexagenários que toda semana, há 20 anos, ocupam o teatro Gláucio Gill, em Copacabana, para um excelente momento de fazer vida, sorrir, cantar, ser feliz, declamar poesia.

O meu João, quando viu a lagoa Rodrigo de Freitas, soltou o verbo: “pis-ci-na!”. Quem se atreveria a dizer que não era? Uma piscina gigante, mas para uma criança de 4 anos, tá valendo? Foram momentos sensacionais. Saí do Rio mais apaixonado, por essas e outras situações que vivi por lá. Recomendo a quem for àquela cidade, se desvestir da visão da mídia sensacionalista que só promove a desgraça que existe lá e fica uma reflexão: será que Rio Branco é uma cidade menos violenta do que no Rio, na visão da mídia que promove a desgraça para ter audiência? Eu fui e tive a oportunidade de conhecer alguns dos genuínos cariocas. Estou feliz por isso.

Quando passei na linha de chegada tive a certeza que correr no Rio de Janeiro, conhecer pessoas sonhadoras como eu e apaixonadas por aquela cidade, foi uma das melhores decisões que já tomei, desde que assumi publicamente a minha loucura por corrida de rua.

(*) Atleta de carteirinha e maratonista de prática