Líder da gastança

Foto: Agência Senado

O senador Gladson Cameli (Progressista) lidera, junto com seu colega de parlamento e correligionário Ciro Nogueira (CE), o ranking dos senadores mais perdulários do Congresso Nacional quando o assunto é gastos com passagens aéreas e diárias.

O olho da cara

Nos últimos três anos, Cameli e Nogueira gastaram R$ 800 mil com viagens pelo mundo. O senador eleito pelo Acre fez a viagem mais cara do Senado: R$ 57 mil, entre passagens e diárias, para a República Checa.

Banzai!

Gladson também já esteve no Japão, para a Conferência Mundial de Jovens Parlamentares, em 2015. Suas despesas somaram R$ 48 mil. E adivinhe o leitor quem pagou a conta?

Companheiros de viagem

Conforme anotou o jornalista Lucio Vaz, da Gazeta do Povo, Gladson, de 39 anos, e Ciro Nogueira, 49, foram companheiros em seis viagens a três continentes. “Entre eles o Parlamento de Jovens Parlamentares no Canadá, no ano passado. Também viajaram juntos para Paris, Nova Iorque e Genebra. Em junho do ano passado, ficaram dez dias na capital francesa para um evento de dois dias. Cada um recebeu quatro diárias”, informou Vaz.

Discrepância

O levantamento feito pela Gazeta do Povo mostra ainda que o valor a ser despendido pelos parlamentares nas viagens internacionais não são tabelados pelo Congresso. Sendo assim, voos no mesmo percurso podem apresentar preços diferentes. Lucio Vaz cita o exemplo de uma viagem para São Petesburgo, na Rússia, onde foi realizado o Fórum Parlamentar do Brics no ano passado. Gladson custou ao erário 27,8 mil, enquanto o senador Jorge Viana (PT), R$ 6,6 mil.

Cristalino

Essa diferença, aliás, demonstra a disposição de nossos representantes públicos quando se trata de dilapidar o erário ou tratá-lo com a devida parcimônia que o momento de crise requer.

Giro pelo mundo

Além da República Checa, Japão, Paris e Rússia, Gladson Cameli também esteve em Hanói, no Vietnã; Cape Town, na África do Sul; Marrakesh, no Marrocos; Nova Iorque, nos Estados Unidos (duas vezes); Ottawa, no Canadá; e Genebra, na Suíça.

Tô nem aí!

Pré-candidato ao governo do Acre pelo Progressista, Gladson Cameli foi recentemente criticado por passar férias em Miami (por conta própria), enquanto o rio Acre e alguns igarapés da capital acreana fazia suas vítimas.

Quem paga o pato somos nós

Em um vídeo gravado do alto da varanda do seu luxuoso apartamento em Rio Branco, o senador respondeu às críticas afirmando poder viajar e que o fará quando bem entender. Sim, Gladson pode traçar o trajeto de suas próximas incursões pelo mundo. Depois é só nos mandar a fatura. Como de praxe, quem sempre paga o pato somos nós…

Gabinete itinerante

Sob a orientação do seu principal assessor, o ex-prefeito de Rio Branco Mauri Sérgio, o vereador Roberto Duarte Júnior (MDB) quer montar um gabinete no parque de exposições, local onde estão sendo abrigadas as famílias atingidas pela cheia do rio Acre.

Fiscal

Duarte Júnior diz querer “fiscalizar” as ações da Defesa Civil estadual e municipal e dos órgãos da prefeitura que dão apoio a essas famílias.

Know-how

Ocorre, porém, que a prefeitura de Rio Branco tem grande know-how na construção e gestão de abrigos para as famílias desalojadas pelas cheias. Desde a administração do prefeito Raimundo Angelim (PT) vem sendo feito um trabalho de excelência no atendimento aos desabrigados. A experiência do poder público municipal é reconhecida inclusive pela Defesa Civil Nacional.

Enquanto isso…

Já o vereador do MDB da capital não tem nenhum conhecimento sobre a logística empregada na administração dos abrigos – que envolve desde o acolhimento às famílias, inventários dos bens armazenados pela prefeitura, segurança nos locais de abrigo e até cuidados com os animais de estimação.

Preocupação

E uma das preocupações da prefeitura é que a ação “fiscalizadora” de Roberto Duarte e de sua equipe venha a trazer desconforto e reduzir a privacidade das famílias abrigadas no Parque de Exposições.

De triste memória

Mas o mais irônico na proposta do vereador do MDB é que ela tenha partido de Mauri Sérgio – cuja atuação à frente do poder público municipal remete à lembranças funestas na história das grandes cheias do rio Acre.

Pescador

Mauri foi prefeito da capital entre 1997 e 2001. Nos períodos em que o rio transbordava, raramente ele se encontrava em Rio Branco, já que preferia estar em longas pescarias nos rios da Bolívia e do Peru.

Remember

Os fatos mais lamentáveis, no entanto, foram registrados no ano de 1988, quando ocorreu a maior alagação até então registrada no rio Acre. Foram milhares de famílias desabrigadas, e por conta disso, uma rede de solidariedade se formou, garantindo que toneladas de donativos – alimentos, produtos de higiene e roupas, entre outros – fossem enviados para o Estado.

Desvio vergonhoso

Destinados aos desabrigados, esses donativos acabaram desviados, transformando o caso em um dos maiores escândalos da história recente do Acre. E quem foram os protagonistas desta vergonhosa história? Eram quase todos membros do governo do Acre, à época. Do governador Flaviano Melo ao secretário Mauro Bittar, todos foram acusados de desviar as doações. Mauri Sérgio, à época, era secretário de Administração de Flaviano.

Temer na contramão

Foto: Agência Senado

Ao se referir ao projeto de privatização de empresas ligadas à Eletrobras, proposto pelo governo Temer, o senador Jorge Viana disse ontem, 20, durante audiência pública, que toparia vender as estatais da energia elétrica se os Estados Unidos e a China enveredassem pelo mesmo caminho.

A preço de banana

Viana criticou a pressa do governo federal em vender “o pouco patrimônio que o Brasil tem”. Segundo ele, “um governo sem plano, sem projeto de país, põe uma banquinha de um metro e meio no Palácio do Planalto e anuncia a venda de 400 bilhões [de reais] em investimentos e vender por 12 bilhões, quando dá lucro”, desabafou senador do PT do Acre.