Investimentos na cadeia produtiva da mandioca ampliam renda e qualidade de vida de agricultores

Segundo a Embrapa, o Brasil ocupa a segunda posição na produção mundial de mandioca, participando com 12,7% do total – Fotos: Diego Gurgel

Seja pela fama da farinha de Cruzeiro do Sul ou a “milito” de Tarauacá, quem sabe pelo tucupi, a goma ou pelo sabor inconfundível da tradicional tapioca, o fato é que a mandioca é popular e seus derivados fazem parte da alimentação da maioria dos brasileiros.

Mas não é só na mesa que encontramos seus subprodutos, a raiz pode ser utilizada como matéria-prima em inúmeros produtos industriais. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil ocupa a segunda posição na produção mundial de mandioca, participando com 12,7% do total.

Por compreender que essa é umas das principais atividades agrícolas do Acre, desde sua atuação no Senado Federal, o governador Tião Viana fomenta a cadeia produtiva da mandioca. Em 2009, destinou R$ 6,3 milhões para o fortalecimento da produção agrícola. Do total, R$ 1,3 milhão foi direcionado para a construção de casas de farinha no Acre.

Os resultados de um parceiro, com povo empreendedor podem ser facilmente medidos em Xapuri, região que desponta como promissora na produção de farinha.

“Sou um dos que apostou no resultado das casas de farinha”, relembra o ex-motorista Raimundo Nonato Nobre de Miranda, conhecido como “Gu”. Foi a partir desse trabalho, no Polo Industrial de Xapuri, que Gu desenvolveu um modo de produção artesanal em grande escala.

Com o rodo – objeto de madeira utilizado na torrefação da farinha – em mãos, o produtor dava ritmo a um dos trabalhos mais cansativos na produção. “Era uma atividade contínua de nove a dez horas. Acordávamos às duas da manhã para dar conta do serviço e depois ir para o roçado”, relembra.

Com a mecanização, em um hectare de terra é possível plantar cerca de 10 mil pés de mandioca, convertidos na colheita de 18 toneladas do produto

A história produtiva de Gu também compõe a biografia de inúmeros outros agricultores acreanos. Com o intuito de agregar valor, crescimento produtivo e facilitar a fabricação da farinha, a Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária (Seap) tem adotado uma nova linha de trabalho, a partir da industrialização do processo produtivo, em substituição a forma artesanal.

Gu recebeu da Seap todo o maquinário industrial utilizado no processo de produção – limpador da raiz, descascador, cevador elétrico, triturador, prensa, forno elétrico e o torrador. Hoje, sua fábrica tem capacidade para produzir até uma tonelada de farinha por dia. Para dar conta das encomendas comerciais, o empresário rural compra mandioca de outros produtores.

Qualidade de vida e ritmo produtivo são reflexos da agroindustrialização e da política de desenvolvimento sustentável do governo do Acre. “O Acre produz, e muito! E é por acreditar nesse potencial produtivo que o Estado injeta recursos nas comunidades rurais. Esse investimento é revertido em emprego e renda, gerado pelos próprios produtores a outros produtores”, destaca José Carlos Reis.

Produtividade

A agroindústria de farinha gera renda para oito famílias, diretamente, e outras 12 indiretamente. No período de entressafra, a fábrica mantém uma produção em 400 litros de tucupi, 800 quilos de goma e 3,2 toneladas de farinha, por semana.

“Plantando na época certa, um pé pode render até 35 quilos de raiz”, explica Gu, que assegura que a mandioca se destaca no Acre como um produto de alta relevância socioeconômica para a agricultura familiar.

Com 30 hectares de terras arrendados e aproximadamente 290 mil pés de mandioca plantados, o fabricante pretende ampliar o plantio para mais de 200 hectares. Para gerar mais produtividade nas terras, a Seap viabilizou a mecanização de toda área, por meio do Fundo Agropecuário Estadual (Funagro).

“O nosso desejo é ampliar a produção e o aproveitamento da macaxeira no Acre, gerando valor agregado e mais renda para os nossos produtores”, afirma o governador Tião Viana

Emprego e renda

De pequeno empreendedor, Gu tornou-se empregador. O produtor rural, José Cassiano, assegura a renda familiar com o plantio de 2,5 hectares de mandioca.

Plantando na época certa, um pé pode render até 35 quilos de raiz

“A renda da mandioca pra nós veio na hora certa, porque parte das terras são desgastadas e a mandioca pode ser cultivada em diferentes solos”, ressaltou Cassiano, que destaca ainda a importância da parceria com Gu, na venda direta do produto. “Eu planto, colho e entrego para ele. Um mercado certo durante o ano inteiro”, afirmou.

Tecnologia de produção

A Seap tem viabilizado a mecanização do plantio, pois compreende que, além de avançar em tecnologia de produção, a iniciativa garante qualidade de vida ao agricultor.

O volume de produção de macaxeira exige novas técnicas de processamento, aplicação das boas práticas de fabricação (BPF) e melhoria nos sistemas agrícolas.

O trabalho mecanizado com tratores de gradagem e destoca, implementos agrícolas como plantadeiras e adubadores, garantem uma lavoura padronizada, facilitando o manejo da plantação.

Mercado garantido

O produtor de Senador Guiomard, Eusébio Pereira, fornece macaxeira beneficiada para a rede de supermercados Araújo, e detectou na região do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Pirã de Rã, um solo propício para o cultivo.

Pereira, que arrendou 30 hectares dos produtores assentados, mecaniza a área por meio do Funagro. O produtor de macaxeira, Demetrius da Silva, é enfático: “Se fosse na enxada, esse serviço iria demorar uns três meses para terminar”.

Com a mecanização, em um hectare de terra é possível plantar cerca de 10 mil pés de mandioca, convertidos na colheita de 18 toneladas do produto.

Pesquisas comprovam

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), que atua na promoção dos produtos e serviços brasileiros no exterior, atraindo investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira, o Acre possui o maior rendimento agrícola do país por hectare de produção.

Ao analisar os dados do Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Apex constatou que no Brasil a média produtiva da macaxeira é de 15,2 toneladas por hectare, enquanto no Acre o rendimento agrícola sobe para 29,3 toneladas por hectare.

Viabilidade de fecularia

Fernando Melo, secretário adjunto de Agricultura e Pecuária, observa que “o Acre está situado próximo dos mercados consumidores”.

O estudo da Apex demonstra que a proposta defendida por Tião Viana, de implantação de indústrias de fécula no Acre, é viável. De acordo o “Acre em Números”, em 2015 a cadeia produtiva da mandioca movimentou 332 milhões de reais, a partir da comercialização de 1,1 tonelada em todo o território acreano.

Em 2016, o Acre registrou 39 mil hectares de áreas plantadas (Censo Agropecuário). O Estado avalia a implantação de três agroindústrias de fécula nas regionais do Vale do Juruá, Purus e Baixo Acre.

“O nosso desejo é ampliar a produção e o aproveitamento da macaxeira no Acre, gerando valor agregado e mais renda para os nossos produtores”, salientou o governador.

Agência Notícias do Acre