Inter nega retaliação da CBF em caso Victor Ramos e não cogita sofrer pena

A cada dia que passa, o “caso Victor Ramos” parece ganhar proporções maiores e que terão capítulos extras nos próximos dias. A denúncia da CBF sobre o uso de documentos falsos no pedido do Inter para reabrir o caso gerou uma reação imediata no Beira-Rio. Em entrevista coletiva, o corpo jurídico se uniu para prestar esclarecimentos e se pronunciou abertamente sobre o a questão, em conjunto, pela primeira vez.

Com um discurso convicto, o vice-presidente jurídico Giovani Gazen, além dos advogados, Daniel Cravo, Rogério Pastl e Felipe Dallegrave discorreram sobre o caso e defenderam a instituição. Negam qualquer adulteração nos e-mails sob suspeita, ao mesmo tempo em que descartam qualquer sentimento de retaliação da CBF. Afinal, o clube tenta provar um erro de procedimento da entidade, junto como Vitória, na transferência de Victor Ramos ao clube baiano.

– Não acreditamos que a CBF faça retaliação em um filiado seu pelo simples motivo de pleitear um direito – comenta Rogério Pastl.

Nesta sexta-feira, a CBF enviou ao STJD um ofício no qual afirma que os e-mails que vazaram nesta semana com uma suposta conversa entre diretor de Registro e Transferência da CBF, Reynaldo Buzzoni, e dirigentes do Vitória, foram adulterados. As mensagens eletrônicas foram utilizadas pelo Inter para tentar reabrir o processo sobre inscrição irregular do zagueiro e, com isso, tirar pontos do time baiano e evitar o rebaixamento.

A pena para caso de falsificação, previsto no artigo 234 (confira abaixo) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, pode gerar danos graves ao clube. A convicção do departamento jurídico do Inter é tamanha, que essa possibilidade nem é cogitada.

– O Internacional defende autencidade dos documentos com a maior tranquilidade. Foram provenientes de fonte absolutamente fidedigna e envolvida na transferência do atleta. Não há duvida sobre a autencidade. E, o mais importante, o conteúdo não pode ser deixado de lado, me parece um dado muito importante – argumenta Daniel Cravo.

Art. 234. Falsificar, no todo ou em parte, documento público ou particular, omitir

declaração que nele deveria constar, inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, para o fim de usá-lo perante a Justiça Desportiva ou entidade desportiva.

PENA: suspensão de cento e oitenta a setecentos e vinte dias, multa de R$

100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) e eliminação na reincidência; se a infração for cometida por qualquer das pessoas naturais elencadas no art. 1º, § 1º, VI, a suspensão mínima será de trezentos e sessenta dias. (NR).

Há também uma solicitação da CBF para que a denúncia seja encaminhada ao Ministério Público do Rio de Janeiro para que seja apurada a possível ocorrência de crime. Sobre essa possibilidade, os advogados colorados garantiram que vão usar de todos os meios possíveis para provar a autenticidade dos documentos encaminhados por eles ao STJD. Inclusive, “entregar a fonte”, caso necessário.

Divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a suposta troca de e-mails entre o clube baiano e Reynaldo Buzzoni indicava que a entidade teria orientado o Vitória a adotar procedimentos de transferência internacional para a inscrição do zagueiro, que pertence ao Monterrey, do México, e estava emprestado ao Palmeiras antes de se transferir para o Vitória em fevereiro.

Como a inscrição de Victor Ramos se deu pelos trâmites nacionais, o Inter entende que o jogador está irregular e ingressou com um pedido no STJD na tentativa de tirar pontos do time baiano para escapar do rebaixamento. Na 17ª colocação na tabela do Brasileirão, o clube gaúcho soma 42 pontos – três a menos do que o Vitória –, a uma rodada do fim da competição.

– A gente sabe que existe fundamento. O Inter levou 40 dias para analisar. Para que serve o TMS? Serve para rastrear lavagem de dinheiro e garantir que credores, como mecanismo de solidariedade. A transferência foi feita como se fosse nacional e é ali que está a irregularidade – ressalta Cravo.

Na noite de quinta-feira, o STJD decidiu arquivar o pedido feito pelo Inter para reabrir o caso, que já havia sido analisado após reclamações do Flamengo-BA e do Bahia. No entanto, o clube gaúcho promete seguir na luta para reverter o episódio e comprovar a suposta irregularidade do zagueiro. Rogério Pastl, advogado do clube, vê tratamento diferenciado da Procuradoria do STJD em relação ao pedido do clube, que não é considerado “simpático”.

A denúncia feita pela CBF ao STJD será analisada na próxima segunda-feira, disse Felipe Bevilácqua, procurador-chefe do tribunal, ao GloboEsporte.com. O clube gaúcho já elabora a defesa e a deve apresentar até quarta-feira.

Clube tenta desarquivamento do caso

Antes disso, no entanto, o Inter ainda tenta o desarquivamento do caso. Na segunda-feira, deverá entrar com recurso para tentar convencer a Procuradoria ao menos a analisar o imbróglio jurídico. Afinal, no clube gaúcho, a certeza é de que Victor Ramos tem atuado de forma irregular em toda temporada.

– No caso do Victor Ramos, a Procuradoria sequer nos dá oportunidade de ação, de ir a juízo para que seja analisado no mérito se é infração disciplinar ou não. O que parece para nós, no mínimo, é um tratamento que não é isonômico. Todo mundo no Brasil sabe que ele está irregular – frisa Pastl.

– O Inter está tão tranquilo que não só concorda como gostaria que houvesse a elucidação exaustiva deste fato. Que seja feita com todos os recursos para ficar às claras, ouvindo pessoas, fazendo as análises que tem que ser feitas. A gente ainda tem um pedido de reconsideração pela frente deste despacho – completa Cravo.

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