Incontida tristeza

Lorena da Cáritas Dantas

Meu sofrer,
Despassa, meu ínfimo corpo orgânico
E à Terra desborda, por desgraça,
O sentimento contido, lacônico.

E como em Mariana,
Transborda minha tristeza,
Rompe a calma, a represa
Contamina o Rio Doce
O faz densa e turva lama.

Queima a floresta amazônica,
Em pleno mês de abril,
A cobre de fumaça,
Como uma grande chaminé fabril.

Num ímpeto febril
Toma toda a atmosfera,
Tonaliza a luz, a noite,
E artificialmente o dia
anoitece, obscurece.

Mas não é por vontade,
Tampouco por maldade,
Que dei a conhecer minha tristeza,
Pois não quisera, nem ser quem sou,
Ainda menos, o que era.