Imprensa nacional

Foto: Cedida

Ontem, o Página 20 repercutiu matéria veiculada no jornal O Estado de São Paulo, onde fica evidenciado que o deputado federal Flaviano Melo (MDB) pode escapar incólume do processo que apura responsabilidade da famigerada conta-fantasma Flávio Nogueira, escândalo que drenou milhares de reais dos cofres públicos acreano nos idos dos anos 80, em beneficio dos acusados.

Histórico

Para os que estão chegando agora, ou seja, pessoas com menos de 30 ou 40 anos, convém as devidas explicações: trata-se de um caso originário da administração do atual deputado federal Flaviano Melo como governador do Estado, no período de 1987 a 1990, que neste último ano renunciou ao cargo para ser candidato a (e foi eleito) senador da República.

Fama

Num encontro com o então senador Mário Maia, candidato a governador derrotado por Flaviano Melo em 1986 e ao senado em 1990 – e desde então seu ferrenho adversário –, autoridades de Brasília, como o ministro da Economia do recém-instalado governo Fernando Collor, Marcílio Marques Moreira, quiseram saber do velho parlamentar quem era, no Acre, o cidadão “Flávio Nogueira”.

Estatística

A curiosidade do ministro se justificava porque o tal “Flávio Nogueira” era, sozinho, responsável pela quase metade do total de recursos aplicados no Banco do Brasil no Acre, segundo revelavam relatórios do Banco Central em poder do Ministério da Fazenda.

Mistério

Movido pela curiosidade, Mário Maia também quis saber quem era o tal “Flávio Nogueira”. Para sua surpresa, segundo seus depoimentos à Polícia Federal, se descobriu que o tal investidor não existia e que o CPF utilizado para a abertura da conta era falso.

Fantasma

Significava então que a conta era também falsa já que o “titular” era também inexistente enquanto cidadão, um autêntico ‘fantasma’. De real, naquela operação, só os lucros auferidos: numa época em que a inflação batia a casa de quase três dígitos, superior a 80% ao mês (governo Sarney e início de Collor), os juros obtidos com os recursos aplicados ficavam na casa dos milhões.

Rapina

Os espertalhões envolvidos naquilo, ao final do período das aplicações, alguns dias ou o período de um mês (quando atrasavam o pagamento do funcionalismo público e de prestadores de serviços e vendedores de bens ao governo), devolviam o valor original às contas públicas, aos cofres da Fazenda, e os rendimentos eram rateados entre eles.

Genealogia

Quando a Polícia Federal passou a investigar o caso, descobriu que o tal “Flávio Nogueira”, o autêntico fantasma, nada mais era que a junção do sobrenome do então governador do Estado, Flaviano Flávio Batista de Melo, e seu principal homem de confiança, o então secretário de Fazenda, Deusdete Antônio Nogueira.

Teia

Mas, para a surpresa dos investigadores, entre os envolvidos não havia só o governador e o secretário de Fazenda. Pelo menos outros cinco secretários, incluindo o então todo-poderoso Carlos Oscar Abrantes Nogueira Guedes, português de nascimento e falecido em Lisboa há três anos, na condição de foragido, faziam parte do esquema.

Corrente

Ainda como denunciado consta o chefe do Gabinete Civil do governo de Flaviano Melo, Mauro Miguel Bittar, que vem a ser o irmão mais querido do hoje pré-candidato ao Senado do MDB, Márcio Bittar. Dentro do Banco do Brasil também havia uma quadrilha envolvida – sem a qual, aliás, a falcatrua não poderia existir e muito menos ser operada.

Esperança tenaz

Resta a esperança que a justiça não deixe o caso perecer. Questionado pela reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o gabinete do ministro Celso Melo afirmou que “o relatório da AP 435 está sendo liberado para o revisor”. Afirmou também que “o prazo prescricional encontra-se rigorosamente observado e o julgamento ocorrerá dentro do prazo da lei, sem qualquer possibilidade de incidência de prescrição penal”. É Aguardar!

Números

Terminada a janela na qual políticos puderam mudar de partido sem perder seus mandatos, o PT se tornou a maior bancada na Câmara dos Deputados, com 60 membros, três a mais do número que detinha antes.

Escala

O MDB, que perdeu sete deputados (o maior perdedor) e o PP (que ganhou seis) ficaram em segundo lugar, com 51 integrantes cada. Já o PSDB, com 48 (dois a mais), ficou em terceiro.

Lá e cá

Tal qual ocorre no plano nacional com a dobradinha DEM-PP, que pretende apresentar como candidato à Presidência da República o deputado federal e presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aqui no Acre as duas siglas estarão no mesmo palanque.

Aos pedaços

E ao contrário do que se desenrola em São Paulo, onde o apoio das duas siglas ainda não está definido entre o ex-prefeito tucano João Doria e o atual governador do Estado, Marcio França (PSB), que concorrerá à reeleição, o DEM acreano tratou de se abrigar na aliança do senador pepista Gladson Cameli. Mas o fez aos pedaços.

Debandada

Depois de tomar o Democratas do ex-prefeito de Acrelândia Tião Bocalom, o deputado federal Alan Rick viu o estrago ser feito nos diretórios municipais do seu partido, onde a debandada causou estragos tanto quanto ocorreu na executiva estadual. Frank Lima, braço de direito de Bocalom, foi o responsável pelo esvaziamento.

Vitória das batatas

Em suma, Gladson Cameli conseguiu, depois de muito articular em Brasília, levar o DEM para sua coligação. Mas sem os antigos militantes. É a chamada vitória de Pirro – ou, se preferir o leitor, a máxima “ao vencedor, as batatas”.