Grupo de artistas vende pão artesanal com poesias para clientes em Rio Branco

Grupo de amigos decidiu vender pães com poesia em Rio Branco – Foto: Reprodução/Facebook

Palhaços, música e poesia. Parece uma apresentação de teatro ou circo, mas é apenas a maneira criativa encontrada por um grupo de artistas de Rio Branco para vender pães artesanais fabricados por eles. Batizado como “PÃOesia”, o projeto alia arte e gastronomia.

A ideia surgiu em 2016, durante o período em que os artistas viajaram pelo Brasil em um ônibus fazendo intervenções artísticas, um projeto chamado Caravana Mundo Palco. Nessa viagem, eles conheceram o Mestre Dom Nelson, condutor da Caravana Arco-íris Por La Paz, que ensinou a eles a receita base para o pão.

“Acreditamos que a culinária é uma arte, já que é totalmente integrada às diferentes culturas. Porém, nem sempre ela é enxergada dessa forma, para nós é importante retomar este aspecto. Resolvemos então, para além de fazer os pães, criar uma forma artística de vendê-los e apresentá-los. Cada pão é vendido com uma poesia e se chama “PÃOesia”, as embalagens são produzidas artesanalmente e algumas vendas dos pães são acompanhadas música e palhaçaria”, conta a percussionista, atriz e palhaça Lua Azevedo, de 21 anos.

Receita de pães não leva ovo e não contém lactose. Além disso, é feito com vários tipos de farinha integrais (Foto: Reprodução/Facebook)
Receita de pães não leva ovo e não contém lactose. Além disso, é feito com vários tipos de farinha integrais – Foto: Reprodução/Facebook

O grupo é formado ainda pelo ator, palhaço e contador de histórias Anderson Poblen, de 23 anos que é acreano; a artesã e cientista social Enaiê Mairê, de 28 anos, que é maranhense, mas já mora no Acre há mais de dez anos; e a paulista Bruna Amado, de 28 anos, atriz, arte-educadora e contadora de histórias, única recém-chegada ao estado na trupe.

“Somos artistas e vivemos do nosso trabalho na arte. Como não temos emprego fixo, nossa renda vem de nossas criações artísticas. Em março começamos a realizar o feitio e a venda dos pães. Fazemos algumas entregas com os palhaços e acreditamos que isso ajuda sim em nossas vendas, pois é uma intervenção artística que surpreende e chama atenção não só para o pão, mas para o nosso trabalho artístico também”, destaca Enaiê.

Embalagens também são feitas artesanalmente por artistas (Foto: Reprodução/Facebook)
Embalagens também são feitas artesanalmente por artistas – Foto: Reprodução/Facebook

Os artistas afirmam que os pães são feitos artesanalmente. Nas receitas são usadas farinhas feitas com diversas matérias-primas como linhaça, mandioca, aveia e amendoim. Além disso, a receita não inclui ovo e é livre de lactose. Para agilizar as entregas, os amigos usam um fusca chamado “Pitelzinho Prateado”, adquirido por eles em Pernambuco.

“Os pães são feitos por nós, no “Nosso Quintal”, no entanto as funções são divididas, entre preparar o pão, fabricar as embalagens, escolher as poesias, lavar a louça, administrar as encomendas e as entregas. Os pães são feitos artesanalmente como os padeiros faziam antigamente, aproveitamos nossas viagens para fazer pesquisas e conhecer novas receitas e ingredientes”, relata Bruna.

Clientes recebem poesia ao comprarem pão artesanal feito por artistas (Foto: Reprodução/Facebook)
Clientes recebem poesia ao comprarem pão artesanal feito por artistas – Foto: Reprodução/Facebook

Nosso Quintal

Sem emprego fixo, ao chegar em Rio Branco os amigos decidiram dividir uma casa no bairro Floresta e passaram a chamar o local de “Nosso Quintal”. Toda a renda que possuem vem de criações artísticas e da venda dos pães. A ideia principal, segundo eles, é ocupar o quintal e tornar ele um espaço de troca e criação. Os artistas pretendem também criar novos eventos no quintal onde vão oferecer jantares e festas e fazer novas parcerias para a venda de mel e própolis vermelho.

Fusca chamado de “pitelzinho prateado” é usado na entrega dos pães (Foto: Reprodução/Facebook)
Fusca chamado de “pitelzinho prateado” é usado na entrega dos pães – Foto: Reprodução/Facebook

“Antes de sairmos na Caravana, a casa já era um espaço de encontros, onde existiam festas com temas tradicionais chamada “côco”. Tivemos o desejo em comum de voltar a fazer os eventos, porém com outra cara e outras ideias. Para além das festas, faremos rodas literárias, encontros voltados para crianças, além de outros eventos gastronômicos”, finaliza Poblen.

G1/AC