Fitch vê incerteza na recuperação e mantém Brasil em grau especulativo

Nota foi mantida em “BB”, segundo degrau abaixo do grau de investimento – Foto: Joel Silva/Folhapress

A agência de classificação de risco Fitch manteve nesta sexta-feira (19) a nota de crédito do Brasil em grau especulativo, citando incertezas na recuperação da economia e fraqueza estrutural das finanças. A perspectiva continua negativa, o que significa que pode haver rebaixamentos do rating nos próximos meses se a agência entender que as condições apontadas não melhoraram.

A nota foi mantida em “BB”, segundo degrau abaixo do grau de investimento (categoria atribuída a países considerados de menor risco de calote, que, por isso, obtêm financiamento com juros menores).

A manutenção ocorre um dia depois de os mercados reagirem com pânico à divulgação de notícias indicando que o presidente Michel Temer teria dado aval ao pagamento de propina para silenciar o ex-deputado Eduardo Cunha.

Segundo a Fitch, a manutenção do rating é justificada pelo crescimento endividamento do governo, que compromete as finanças públicas, perspectivas fracas de expansão e indicadores de governança mais enfraquecidos em comparação com outros países semelhantes ao Brasil. Esses fatores, junto com o que a agência chama de “repetidos episódios de instabilidade política”, têm implicações negativas para a economia brasileira.

A agência vê melhora nas políticas econômicas e considera que o ajuste nos mercados externos, a inflação e o melhor ancoramento das expectativas de preços e também a aprovação do teto de gastos poderiam facilitar a consolidação fiscal.

A perspectiva negativa, prossegue, reflete incertezas para a recuperação da economia brasileira, as perspectivas para a estabilização da dívida pública a médio prazo devido aos desequilíbrios fiscais e a evolução da agenda legislativa, especificamente no que diz respeito à reforma da Previdência.

Folha de S. Paulo