EXÍLIO

Lorena de Cáritas Dantas Tuma

Olhei a face perdida
Enquadrada no espelho,
E fixando ao fundo,
Do olho marejado, vermelho,
Perguntei: o que será de você?

Ao fim e ao cabo
De tantas lutas,
Sempre inconstante,
Sempre em fugas,
E a mirar a linha do horizonte,
em busca de outro ponto de fuga.

Quem sabe no exílio,
Teria muitos netos,
E quem sabe escapassem,
A sítios ainda não descobertos!

Ou talvez sobrevivessem
Sem êxodo, asilo, sem fuga e sem exilio,
Às pragas que sobreviessem
Numa cavidade oculta, profunda.

Talvez no fundo da floresta perdida,
Na Amazônia não conhecida,
Saciassem minha sede de sedentarismo,
E como árvores, fixariam suas raízes.

E sem temer ataque nuclear,
Submarino, ou clandestino,
Colocariam enfim, fim,
À minha saga de peregrino.

Arquiteta e urbanista