Demissão de comissionado em Cruzeiro do Sul é o mais novo motivo de atrito entre Ulysses e Gladson

Segundo Coronel Ulysses, Ilderlei Cordeiro demitiu servidor da prefeitura de Cruzeiro do Sul a mando de Gladson Cameli – Fotos: Da Assessoria/Reprodução Ac24horas/Reprodução Ac24horas

Pré-candidato do PSL denuncia que seu concorrente do PP mandou o prefeito Ilderlei demitir servidor porque este teria declarado apoio à sua candidatura ao governo; senador nega

O mais novo epicentro do irreversível atrito entre os pré-candidatos das oposições ao Governo do Estado, Coronel Ulysses, do PSL, e Gladson Cameli, do PP, atende pelo nome de Barto Júnior, um jovem de Cruzeiro do Sul, muito bem relacionado na sociedade local, que até o início da semana era gerente da secretaria municipal de saúde da Prefeitura local. Em suas redes sociais e na sua conta pessoal do Facebook, Coronel Ulysses veio a público, na noite da última quinta-feira, denunciar que Barto Júnior havia sido demitido do cargo comissionado pelo prefeito Ilderlei Cordeiro, porque havia descumprido a orientação do governante municipal de apoiar Gladson Cameli como candidato a governador.

“Liguei para prestar minha solidariedade e ele me falou que foi demitido porque se negou a apoiar o pré-candidato do PP e por ter dito com todas as letras que iria apoiar a minha candidatura. Isso custou seu trabalho e seu sustento”, denunciou Ulysses.

A mágoa de Gladson Cameli em relação a Barto Júnior, que teria ensejado sua demissão do cargo comissionado na Prefeitura – o que a assessoria do senador negou, registre-se -, deu-se porque o rapaz também é muito ligado ao pré-candidato do PP, sendo, inclusive, seu amigo de infância. “Eles eram vistos com muita frequência em festas da juventude aqui em nossa cidade”, disse um amigo de ambos. “Não posso imaginar o que causou o rompimento”, acrescentou o amigo.

Através de sua assessoria, o senador Gladson Cameli negou quaisquer atos de perseguição ou responsabilidade pela demissão do rapaz, ao qual o parlamentar não fez a menor referência. Eis o que disse, por meio da assessoria, o senador Gladson Cameli: “A assessoria de imprensa do senador Gladson Cameli informa que não irá se manifestar sobre um assunto relacionado a uma esfera de poder, no caso a municipal de Cruzeiro do Sul, que não é de sua competência”, disse a nota. “Não compete ao senador interferir ou decidir sobre assuntos de restrita competência da Prefeitura de Cruzeiro do Sul”, acrescentou.

Instada a se pronunciar sobre o assunto, a assessoria do prefeito Ilderlei Cordeiro, que assinou o decreto de demissão, também enviou nota à reportagem. Eis a íntegra da nota assinada pela jornalista Vanísia Nery, assessora de comunicação do prefeito: “A Prefeitura de Cruzeiro do Sul nega toda e qualquer tipo de perseguição política como causa de demissão deste funcionário ou de qualquer outro. Infelizmente, a Prefeitura teve que tomar a medida em razão do limite de gastos com pessoal, que está acima do estabelecido pelo Tribunal de Contas”, disse a assessora. “Assim, outros funcionários da saúde, como também de outras pastas do município, foram ou serão demitidos em razão das adequações que o município deve fazer para baixar esse índice. Inclusive, no próprio Centro de Diagnóstico, local onde o servidor era lotado, outros funcionários também foram demitidos por esta razão, não tendo o fato nenhuma ligação com perseguição política”, conclui a manifestação da Prefeitura.

Procurado, o mais novo objeto de discórdia entre Ulysses e Cameli não quis falar sobre o assunto. A amigos, ele confirmou que a origem de sua demissão seria de caráter político, uma vez que assessores do prefeito Ilderlei Cordeiro, na semana passada, teriam reunido todo os cargos de confiança da Prefeitura e exigido que seus ocupantes passassem a se manifestar, nas ruas ou em redes sociais, em defesa da candidatura de Cameli, quando então ele, Barto Júnior, havia dito que votaria em Ulysses apesar de sua amizade com Gladson. Para sua surpresa, depois desta manifestação, foi convidado a se retirar do cargo.

Enquanto a malária sobe, prefeito demite agentes de endemias

Além de Barto Júnior, nas próximas horas, devem ser processadas mais demissões na Prefeitura de Cruzeiro do Sul, principalmente na área da saúde. Na coordenadoria de combate às endemias, vinculada à secretaria municipal de saúde, as demissões devem alcançar ao menos 50 pessoas. As demissões, além do clamor social, se tornam ainda mais grave porque são os agentes de endemias eu ajudam no combate à proliferação de doenças como malária, endêmica na região e já alcançando índices de epidemia. Um servidor da área, ao perceber o descontrole dos índices da doença no município, anunciou ter pedido a própria demissão.

“O incompetente do prefeito de Cruzeiro do Sul demite 300 funcionários. Entre esses 50 foram da área de endemias, enquanto a malária se alastra ele demite funcionários, sem pena nem dó de Cruzeiro do Sul, principalmente os moradores dos ramais. Com o tempo chuvoso, a malária está subindo de vento em popa, sem falar na falta de medicamentos para a cura da malária em crianças (primaquina de 5 mg)”, disse a pessoa que pediu para não ser identificada.

A secretária Vanísia Nery negou que as demissões cheguem ao número de 300 pessoas e que, na área de endemias, também sejam da ordem de 50 agentes. Segundo ela, para que as coisas sejam devidamente esclarecidas, o prefeito Ilderlei Cordeiro deve conceder uma entrevista coletiva, nesta sexta-feira 18 de maio, para falar sobre o assunto.

Tião Maia