Demagogia explícita

Foto: Cedida

O discurso feito no Senado pelo senador Sérgio Petecão (PSD), no qual o parlamentar tenta tirar proveito político da guerra entre facções criminosas em atuação no Estado, razão de muitas mortes entre jovens – tanto na Capital como no interior –, parece ter caído como um tiro no pé do senador.

Reação

Primeiro porque, sempre atento aos debates em Brasília, o senador Jorge Viana (PT) saiu em defesa do governo de seu irmão Tião Viana (PT) e não deixou que a demagogia de Petecão proliferasse no Congresso. Nem mesmo os senadores aliados de Petecão, mediante a imediata intervenção de Viana, ousaram se manifestar.

Sem argumentos

No embate entre Petecão e Jorge Viana, o petista levou a melhor porque mostrou que, em sete anos e meio de mandato, Petecão jamais manifestou preocupação com a onda de violência sempre crescente no Estado e nunca colocou um real de suas emendas individuais à disposição do sistema de segurança do Acre.

Ações desbancam cobranças

Além disso, ele que tanto apoia as medidas impopulares do presidente Michel Temer (MDB) no Senado – como a reforma trabalhista e a destruição de todas as conquistas sociais obtidas nos mandatos dos petistas Lula e Dilma –, não foi capaz de mobilizar o governo de seu amigo Temer, nem dos senadores e ministros aliados, para socorrer o Acre neste momento de dor e insegurança para as famílias que vêm perdendo seus filhos para o tráfico e outros tipos de crimes.

Jeito moleque

Muito pelo contrário. Quando começou esta autêntica guerra e carnificina entre as chamadas facções pelo controle do tráfico e dos territórios onde ficam as bocas de fumo no Estado, motivo das matanças entre os jovens acreanos, o senador Sérgio Petecão, que subiu à tribuna do Senado falando em desespero e forçando lágrimas nos olhos, fazia era palhaçada com o tema.

Palhaçada

Prova disso é que, nas redes sociais, ainda podem ser encontradas fotos do senador, postado ante um jipe de guerra e com um capacete de soldado, ostentando um simulacro de arma pesada, dizendo que estava pronto para a guerra. Isso, ao lado de seu fiel escudeiro, o anão Montana, cuja imagem rodou o mundo avacalhando um tema tão sério como é o da segurança pública, que quase sempre envolve a necessidade de se tratar as coisas com seriedade.

Crueldade

Ao invés de procurar soluções para o problema, o senador e seu mascote de estimação, como palhaços de gosto duvidoso, partiram para a gozação a respeito de um tema tão caro às famílias que vêm perdendo seus membros. Pura crueldade!

Zero à esquerda

Sérgio Petecão também levou outro debacle. No final da tarde de ontem, ao saber da exploração do senador do tema violência no Senado, responsabilizando-o por tudo de ruim que vem acontecendo no Estado, o governador Tião Viana veio a público mostrar que o parlamentar em nada contribui com seu mandato para o desenvolvimento local.

Atestado

Numa nota de seu próprio punho, Tião Viana desqualifica o senador dizendo que seu mandato é pífio e sem propostas, principalmente para a área de segurança. Tião Viana lembrou que, no ano passado, chamou para o Acre governadores, ministros de Estados, parlamentares, o presidente da República e quem mais tivesse responsabilidade na área para discutir o tema da segurança pública, quando foram assinados protocolos e outros documentos. Petecão sumiu. O presidente Temer não compareceu alegando problemas de saúde e Sérgio Petecão, além de não comparecer, nem justificou sua ausência.

Escatológico

Enquanto o problema da segurança era debatido de forma exaustiva, consta que o parlamentar dava uma festa em sua chácara particular que atende pelo sugestivo nome de “Boi Cagão”, regada a comida da melhor qualidade e as melhores bebidas.

Intervenção para quê?

Pior que a própria omissão em relação ao tema, é a forma como Petecão vê a solução para o problema: ele quer no Acre uma intervenção militar nos moldes da que está ocorrendo no Rio de Janeiro.

Resposta

Em sua nota, Tião Viana lembra que a intervenção de Temer no Rio de Janeiro não só está causando polêmicas como parece não resolver o problema, muito pelo contrário.

Ação

O ideal é que, se de fato Petecão quer ajudar no combate ao problema, deveria pedir a seus aliados em Brasília que liberassem pelo menos R$ 39 milhões em emendas que foram contingenciadas pelo governo federal, cujos recursos seriam de uma boa ajuda para o setor da segurança no Acre.

Cobrança

O senador Jorge Viana (PT) cobrou, em discurso no Senado nesta terça-feira, 11, a liberação de R$ 10 milhões prometidos para as forças de segurança do Acre. Ele alertou que a situação do Estado é grave e reflete o resto do país.

“Temos que decretar que o Brasil está em guerra. O medo tomou conta da população. Não podemos ficar de braços cruzados. Faço um apelo ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, para que libere esses recursos e assim possamos cobrar as polícias”, disse ele.

Fim da picada

Jorge explicou que o dinheiro vem de uma emenda orçamentária de sua autoria, que originalmente destinava R$ 70 milhões para a compra de armas, fardas e equipamentos para a polícia acreana. Porém, graças ao governo de Michel Temer, menos da metade do valor chegou a ser empenhado – e a perspectiva é da liberação de apenas R$ 9,6 milhões.

Reforma do Código Penal

O senador também cobrou do Congresso Nacional sobre a aprovação de modificações no Código Penal, que, segundo ele é uma legislação “desatualizada e incapaz de lidar com os problemas de segurança pública no país”.

Maior rigor

Ele lembrou que é autor de diversas propostas que modificam o Código Penal, tornando-o “mais rígido, objetivo e justo” quando à punição dos crimes hediondos.

A vida como ela é

“Hoje a pessoa comete um erro na vida e tem uma pena grande, mas tira a vida de outra e tem uma pena pequena. Isso está errado. A vida não está valendo nada” lamentou ele.