Conversando com Nilda Dantas

O jornal cultural, Diário do Poeta (*), fez entrevista com a radialista e poetisa Nilda Dantas, um patrimônio do Acre, um nome forte da comunidade acreana e que tem a voz mais doce que o Acre já conheceu. Ela “é um símbolo da mulher acreana, não só da beleza cabocla amazônica, mas, sobretudo, do grito de liberdade que o chamado sexo frágil fez ecoar por todo o Acre”, como bem afirmou Onides Bonaccorsi Queiroz, em Brava Gente Acreana, no site da agência de notícias do Acre.

Em suas investidas literárias, Nilda Dantas publicou três livros de poemas e tem contos publicados nos jornais locais. Cursou faculdade de Letras, esteve uma temporada na televisão, domina o idioma espanhol e no campo das artes atuou diretamente em várias peças teatrais e encanta quando canta.

Para a estudiosa da literatura acreana, a Dra. Margarete Edul Prado de Souza Lopes, os poemas de Nilda Dantas não falam somente de amor, uma vez que ela tempera o lirismo e o protesto social em versos que descrevem a dor do ser humano, registrando a voz das pessoas mais simples da gente acreana.

Foto: Cedida

Diário do Poeta: Onde você nasceu?

Nilda Dantas: Nasci nas margens do Rio Acre, na Rua da Palha, no centro de Rio Branco.

Diário do Poeta: Quais são suas obras literárias?

Nilda Dantas: Publiquei três livros de poemas: Quase Nua (2000), Devora-me (2008) e Saturitas (2015), pelas leis de incentivo do município e do estado; um poema e dois contos, resultado de dois concursos da Fundação Garibaldi Brasil (2007 e 2009), que estão nos dois livros de coletânea da Nova Literatura do Acreana.

Diário do Poeta: Qual sua visão sobre o movimento da literatura acreana?

Nilda Dantas: Reconheço que esse novo momento literário em nosso estado, começou a mudar com a instalação do Projeto Arca Das Letras, levado para várias comunidades e Casas de Leituras, através de um programa do Ministério do Desenvolvimento Agrário, criado em 2003 que possibilitou maior acesso aos livros pelas comunidades rurais. Aqui no Acre foi muito bem aceito. Outro fato marcante foi a realização das duas edições da Bienal do Livro, aqui na Capital e também a criação dos novos movimentos como Sarau nas Escolas, iniciado pelo poeta Mauro Modesto e outros colaboradores.

Teve também a criação do grupo de poetas para realizar as rodas de poesia, logo após a fundação da Academia dos Poetas Acreanos. Depois foram surgindo outros grupos e entidades como a Casa de Portugal e da Lusofonia do Acre, tendo como fundador o Senhor Manuel Fonseca de Sousa, a Academia Juvenil Acreana de Letras, fundada pelo o jovem Jackson Viana e mais recentemente a Sociedade Literária Acreana, fundada por um grupo de amigos que está se destacando com sua maneira diferente de levar o talento de muitos artistas e autores para seus momentos literários, com leitores.

Diário do Poeta: Qual seu escritor de cabeceira?

Nilda Dantas: Como zelo muito por minha religiosidade nunca tive na minha cabeceira livros de algum autor romancista ou poeta, talvez por não ter muita disposição para ler. No momento de intimidade na cama só estão ao meu alcance leitura de socorro espiritual.

Diário do Poeta: A quem você deve o gosto pela leitura?

Nilda Dantas: Foi a necessidade de está bem informada para desempenhar minha profissão que me obrigou a ler mais sobre vários temas e assuntos. Um dos livros que eu lia sempre como busca de compreensão do meu ser é o chamado Livro das Misses, O Pequeno Príncipe, que também li no idioma espanhol.

Diário do Poeta: Indique bons livros para leitura.

Nilda Dantas: Gosto muito do Livro das Misses, mas indico também o livro Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach que alguns críticos classificarem de livro de autoajuda disfarçado de literatura infanto-juvenil (1970). Ele é muito bom para quem quer começar a tomar gosto pela leitura.

Diário do Poeta: A seguir o poema devora-me, do livro de Nilda Dantas de mesmo nome.

DEVORA-ME

Devora-me…
O banquete está servido.
Devora-me…
Com todos os teus sentidos.
Devora-me, lentamente…
Delicadamente, prazerosamente.
Devora-me…
E descobre meus segredos
Impregnados na minha alma.
Devora-me sem pressa,
E conhecerás toda a beleza da minha essência.
Devora-me…
Sacia tuas fantasias.

(*) Diário do Poeta – uma produção da Sociedade Literária Acreana.