Conhecimento de causa

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O jornalista e blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo, uma espécie de porta-voz dos interesses do grupo que solapou a democracia no país, apeando do poder a legítima presidente Dilma Rousseff, em texto publicado na revista no final de semana, desnuda o modus operandi utilizado por entes do Judiciário para obter dividendos políticos.

Anomalia

Diz o blogueiro que há muito está em curso a marcha da insensatez. Faz referência aos procedimentos impróprios de algumas autoridades encarregadas de investigar crimes (Polícia Federal e Ministério Público) ou de julgar os que são processados pelo Estado — e, nesse último caso, refere-se, é evidente, a setores do Judiciário.

Usurpação

Assevera que os porras-loucas desses três entes — PF, MPF e Judiciário — decidiram exercer o controle da política e dos políticos.

Linha auxiliar

Atesta ele que a melhor forma que encontraram de fazê-lo é criando factóides para manter a opinião pública em estado de permanente exasperação e mobilização rancorosa, o que vem a ser coisa bem diferente de fazer uma escolha política. E contam, para isso, com a imprensa como subordinada e porta-voz.

Usurpando funções

Reinaldo Azevedo reflete ainda que há apenas três partidos no Brasil: 1) o PT e seus satélites de esquerda; 2) o PMDB-PSDB e seus satélites do Centrão e 3) o PAMPI (Partido do Ministério Público e da Imprensa), que no sua visão poderia sofrer uma pequena mudança para tornar a coisa ainda mais precisa. O certo, segundo ele, seria PAMPIPO (Partido do Ministério Público, da Imprensa e da Polícia).

Ação deliberada

Sobre o comportamento impróprio de membros ligados ao judiciário, ecoa matéria veiculada no domingo, 19, pela ombudsman do jornal Folha de São Paulo, onde fica revelada que “Das dezenas de envolvidos na investigação, vazaram para os jornalistas os mesmos 16 nomes de políticos — cinco ministros do atual governo, os presidentes da Câmara e do Senado, cinco senadores – incluído aí, o do senador acreano Jorge Viana –, dois ex-presidentes e dois ex-ministros.

Estranha coincidência

E deixa a pergunda: por que tanta coincidência? A ombudsman da Folha de São Paulo apurou que a divulgação da chamada segunda lista de Janot se deu por meio do que, no mundo jornalístico, se convencionou chamar de “entrevista coletiva em off”.

Compadrio

E vai além: “Após receberem a garantia de que não seriam identificados, representantes do Ministério Público Federal se reuniram com jornalistas, em conjunto, para passar informações sobre os pedidos de inquérito, sob segredo, baseados nas delações de executivos da Odebrecht”.

Em campanha

No dizer de Azevedo, ao industriar os vazamentos, os procuradores cometem um crime, que nem investigado será, e desbordam de sua função: fazem política.

A solução final

Recorda o jornalista que na coletiva que concederam na sexta-feira, os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando evidenciaram o desprezo que têm pelo Congresso, asseguraram que os senhores parlamentares querem é acabar com a Lava Jato, e um deles, Deltan, antecipou até a data do julgamento de Lula, que será feito pelo juiz Sérgio Moro. A condenação veio sugerida nas entrelinhas.

Definição

Azevedo ressalta, ainda, que na página-trocadilho criada pela mulher de Moro — “Eu Moro com Ele” —, o juiz agradece o apoio da população e sugere que, sem este, a história poderia ser outra. Todas essas ações têm nome. E o nome disso é política.

Política explícita

Conclui o jornalista que as autoridades em questão extrapolam suas funções. “É isso o que fazem os procuradores quando dão coletivas em off; é o que faz Moro quando apela diretamente à população por apoio; é o que faz a Polícia Federal quando, com impressionante irresponsabilidade, desfaçatez, ligeireza, falta de elementos e estupidez técnica, demoniza a carne brasileira, cuja excelência é reconhecida mundo afora.

Quem irá nos salvar?

E finaliza: “Sob o pretexto de combater bandidos, só pode fazer aquela patuscada quem aposta na impunidade. A mesma impunidade que protege os procuradores-vazadores. Todos esses entes, incluindo setores do Judiciário, estão convencidos de que o país não precisa de políticos e da política. Querem saber? Entreguemos o Brasil aos porras-loucas do MPF, da PF e do Judiciário, e, em dez anos, seremos um Haiti de dimensões continentais”.

Mandato restritivo

Com uma atuação parlamentar voltada quase que exclusivamente para o Juruá, a deputada federal Jéssica Sales (PMDB) vai delimitando, aos poucos, seu alcance político no Estado. E, com isso, deverá também restringir os votos do pai, o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner Sales, caso este concorra mesmo ao Senado pelo PMDB.

Na conta de Sales

Aliás, Vagner Sales ainda é o alvo das reclamações dos moradores de Cruzeiro do Sul sempre que o motivo são as ruas esburacadas. Poucos se deram conta de que o prefeito mudou.

Ao “Deus dará”

Até os aliados de Sales dizem que ele não administrou a cidade em 2016, o último ano do segundo mandato. Deixou a população ao Deus dará. Ah, e muitos servidores sem salário…

Lágrimas de crocodilo

O substituto de Sales, Ilderlei Cordeiro (PMDB), vive repetindo, lacrimoso, que a prefeitura cruzeirense não tem um tostão. Mas toda vez que diz isso, alguém se pergunta de onde, afinal de contas, ele tiraria o recurso para remunerar os 611 cargos comissionados que só não enfiou na administração pública porque o TCE não deixou.

Maus-tratos

O alcaide também não tem agradado à sua base de apoio na Câmara Municipal. Fonte da coluna, conhecedor dos bastidores da política de lá, assevera que os vereadores da base aliada andam reclamando – e muito! – do tratamento que recebem de Ilderlei.