Com verão amazônico, construção civil espera alta do setor no Acre em 2017

Por Luan Cesar – Com o início do período de estiagem – com poucas chuvas e tempo seco – no Acre, o setor da construção civil prevê aumento no volume de serviços, vendas e contratações durante o chamado verão amazônico. Isso porque a movimentação de obras no Estado, tanto por parte da iniciativa pública quanto da privada, aumenta consideravelmente nos meses de seca.

Carlos Afonso Cipriano, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Acre (Sinduscon) explica que é nesta época que as grandes obras, principalmente as executadas pelo Estado e Municípios, começam ou se intensificam, o que historicamente gera mais empregos e vendas no setor, que de acordo com ele também alavanca outros ramos.

Com isso, o sindicato prevê que em 2017 haja um crescimento intenso, tanto em relação ao começo do ano quanto ao mesmo período de 2016. Mesmo com as boas expectativas, Cipriano explica que não há sondagens ou pesquisa para analisar os índices de confiança do setor no Estado. A razão, segundo ele, seria a volatilidade do ramo e a instabilidade econômica.

“Apesar dessa crise política e econômica que o país atravessa, acredito que os resultados em 2017 serão melhores do que os do ano passado. Apesar de não haver números estatísticos, sabemos que a construção civil acreana terá aumento na movimentação devido a diversas obras que serão executadas pelas prefeituras, Estado e empresas privadas”, pontua Cipriano.

O presidente do Sinduscon cita a construção de quase 2.500 novas unidades habitacionais na Cidade de Povo, da continuidade das obras do Shopping Popular de Rio Branco, início da execução do anel viário e nova ponte que vai interligar as cidades de Epitaciolândia e Brasileia, recuperação da BR 364 em Cruzeiro do Sul e do Centro de Referência Administrativa do Acre.

Carlos Afonso afirma que grandes obras gerarão milhares de empregos diretos e indiretos no Acre – Foto: Regiclay Saady

Economia

Carlos Afonso afirma que essas obras gerarão milhares de empregos diretos e indiretos, o que injetará uma quantidade significativa de dinheiro na economia local. Além disso, pontua ele, outros setores também serão beneficiados com as diversas frentes de trabalho que serão executadas pelos próximos meses. “Estamos muito esperançosos quanto a isso”.

“A construção civil é o setor que norteia todo o mercado. Quando as grandes obras começam a ser executadas aumenta não só a venda de materiais de construção, mas também de combustível, alimentação – já que as empresas compram muitos marmitex para os trabalhadores –, e acréscimo também no setor de transportes”, afirma Cipriano.

Ele lembra que em maio deste ano a construção civil local apresentou os primeiros sinais de melhora. “Nesses últimos 12 meses, maio foi o único mês em que o saldo de geração de empregos na construção civil no Acre foi positivo. Ou seja, foram gerados mais empregos do que demissões. Nossa expectativa é que esse cenário se repita nos próximos meses”, finaliza.

Números no Acre

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou que em maio de 2017 o Acre criou 200 novas vagas de emprego com carteira assinada. Desse total, mais de 100 novos postos de trabalho foram gerados na construção civil, que foi a grande responsável pela variação positiva de contratações formais durante o mês.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última sexta-feira, 7, que o Acre foi a Unidade Federativa do país que registrou a maior alta no preço da construção civil em junho deste ano na comparação com o mês anterior. Segundo o órgão, foi registrado um aumento percentual de 2,82% no preço do metro quadrado durante o período pesquisado.

O metro quadrado construído na região acreana saiu por R$ 1.157,02. Somente neste ano, o acúmulo do aumento foi de 2,65%, enquanto nos últimos 12 meses a alta nos preços é de 3,32%. Segundo o IBGE, a subida do setor no Estado se deu devido ao aumento da parcela da mão de obra após reajustes salariais mediante acordo coletivo. O instituto verificou também que os materiais de construção ficaram mais caros no mês passado.