Com a PF no encalço

A jactância de Joaquim Lyra, empresário de Epitaciolândia, acabou por arrumar uma baita dor de cabeça para o próprio. Depois de aparecer fazendo pose em uma fotografia na qual aparece atrás de um monte de cédulas de R$ 50 e R$ 100, a Polícia Federal resolveu fazer buscas, na manhã de ontem, 13, na residência do candidato a deputado estadual pelo PP – o mesmo partido de Gladson Cameli.

Buscas

Segundo informações da superintendência da PF no Estado, a suspeita é de que o empresário separava o dinheiro – R$ 300 mil – para supostamente captar votos de forma ilícita.

Quem pode, pode!

Boquirroto, Joaquim Lyra não apenas posou para a fotógrafo amador, como também fez questão de gravar um áudio em que dizia estar na casa de um amigo, a separar os R$ 300 mil para ‘botar a campanha na rua a partir da [próxima] segunda-feira [dia 17]”.

Gabola

“Quando eu falo em botar a campanha na rua é botar a campanha na rua… não é conversa fiada não”, vangloria-se Joaquim Lyra.

No próprio carro

Após as buscas na casa do empresário, ele prestou depoimento na sede da PF em Epitaciolândia. Mas Lyra se defende: diz que não foi conduzido de forma coercitiva. “Eu fui no meu carro mesmo”, afirmou.

‘Convite’

Segundo o empresário-candidato, nas buscas feitas pelos agentes da PF em seu imóvel foram encontrados apenas R$ 350. Ainda assim, ele foi ‘convidado’ a comparecer na delegacia da PF para prestar depoimento.

Glutões

Na gravação que fez questão de divulgar nos grupos do aplicativo WhatsApp, Joaquim Lyra afirma que os R$ 300 mil seriam para “pagar lanche” aos cabos eleitorais de sua campanha. Ô povo pra comer, meu Deus do céu!

Piada pronta

Após prestar depoimento ao delegado d PF, Joaquim Lyra deu entrevista elogiando a ação da Polícia Federal e do juiz que assinou o mandado de busca em sua residência.

E quem consegue ficar sério?

Segundo ele, o ‘excelente trabalho feito pela PF e pelo juiz’ garantem eleições limpas, sem corrupção. Não é mesmo uma graça?



Mixaria

Bem, se fizermos as contas, os R$ 300 mil alegados por Joaquim Lira significam apenas 1% dos R$ 30 milhões que o candidato ao Senado pelo MDB, Marcio Bittar, afirmou que o pai do senador Gladson Cameli (PP), Eládio Cameli, estaria pronto a internalizar no Acre para a campanha do pimpolho ao governo estadual.

Unha e carne

Além do que já dissemos – ou seja, que o empresário de Epitaciolândia é filiado ao partido de Gladson –, convém lembrar ainda que ele, junto com os ex-prefeitos de Brasileia Aldemir Lopes e Everaldo Gomes (ambos do MDB) é um dos principais apoiadores de Gladson na região do Alto Acre.

Lembrete

Não esqueçamos também que Everaldo foi afastado do cargo sob acusação de formação de quadrilha e desvio de recursos públicos. E que Aldemir Lopes é acusado pelo Ministério Público Federal e PF de ser o mentor de todo esse esquema de sangria no erário municipal.

Hospedagem

Tanto Aldemir como Everaldo passaram uma temporada na carceragem da PF, como hóspedes distintos pela natureza dos crimes que lhes são atribuídos pelo MPF. E tiveram de pagar fiança para poder voltar pra casa. A ação em que ambos figuram como réus, porém, continua seus trâmites normais no Judiciário.

Ciro Gomes

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) chega ao Acre por volta das 13 horas desta sexta-feira, 14. Segundo os organizadores de sua visita ao Estado, o pedetista fará uma caminhada pelo Terminal Urbano da Capital e em seguida concederá uma coletiva de imprensa. Logo depois, retorna ao aeroporto, para prosseguir viagem em sua caravana pelo país.

Itinerário tucano

No sábado pela manhã, será a vez de Geraldo Alckmin, candidato a presidente da República pelo PSDB, fazer um corpo a corpo, ao lado dos militantes, com os eleitores no mercado Elias Mansour e no entorno do Terminal Urbano. A chegada do tucano está prevista para a noite desta sexta-feira.

Pego de surpresa

O presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Ney Amorim (PT), afirmou em nota divulgada no início da tarde de ontem, 13, ter sido surpreendido por notificação do gabinete do juiz federal Herley da Luz Brasil sobre a deflagração da Operação Hefesto, que apura possíveis ilícitos praticados por uma empresa de publicidade prestadora de serviços ao poder legislativo estadual.

Parlamento estadual

Ney se disse tranquilizado, porém, ao saber, pelo magistrado, que a Polícia Federal não foi constatou envolvimento de nenhum dos deputados que compõem a Aleac, “fato que só corrobora minha certeza quanto à honra e seriedade com que se portam todos os Deputados Estaduais que servem nosso povo nesta legislatura, homens e mulheres que honram o Parlamento Acreano”, conforme escreveu na nota.

De entristecer

Segundo Ney, situações desta natureza “nos entristecem e só reafirmam nossa certeza quanto à necessidade de contínuo desenvolvimento e implementação de ferramentas de aperfeiçoamento da gestão pública”.

Atuação séria da PF

Segue o texto de Ney Amorim: “Além disso, operações desta natureza demonstram a importância da atuação séria e isenta dos órgãos de controle, especialmente da Polícia Federal, conduta fundamental para o amadurecimento de uma genuína República. Não posso fazer julgamentos precipitados, é preciso respeitar o direito das pessoas que lamentavelmente se veem envolvidas nesta situação de apresentar os esclarecimentos pertinentes”.

Reunião de urgência

Segundo informações dadas à coluna, o presidente da Aleac convocou uma reunião com seus pares a fim de discutir a questão e reafirmar à sociedade que ele já determinou à procuradoria jurídica da Assembleia Legislativa que oriente a Mesa Diretora quanto às providências a serem adotadas para as devidas apurações sobre o caso.