Casamento coletivo oficializa união de 13 casais gays durante cerimônia em Rio Branco

Ação faz parte do projeto ‘Casar é legal’, da Defensoria Pública – Foto: Lillian Lima Arquivo Pessoal

“Sim”. Essa foi a palavra que 13 casais gays disseram ontem ao oficializarem, de forma legal, a união no primeiro casamento coletivo de casais homoafetivos no Acre.

A cerimônia, feita no Palácio do Comércio, na Avenida Ceará, em Rio Branco, foi a última etapa do projeto “Casar é Legal”, desenvolvido pela Defensoria Pública Estadual (DPE) em parceria com outros órgãos.

O processo foi o marco legal para as cozinheiras Luana Maiara, de 36 anos, e Antônia Cristina, de 26, celebrarem o relacionamento de dois anos. Elas, que foram o primeiro casal a se inscrever no projeto, disseram, que apesar dos planos, não achavam que iam conseguir casar no estado. Até saberem da oportunidade, as duas estavam se planejando para concretizar o sonho fora do Acre.

“A gente teve essa brilhante sorte de casar sem ir embora. É a realização de um sonho. Para mim, casamento é muito importante e algo sério. Isso nos assegura, caso aconteça algo, que nossas famílias não interfiram. Tem uma criança de seis anos envolvida [na história do casal] e temos que pensar num futuro, não só para a gente, mas para ela também”, declarou Luana.

Agora, o casal pretende se estabilizar ainda mais financeiramente para ter a filha morando com elas e, futuramente, presentar a pequena com irmãos. “As pessoas acham que isso é um sonho somente de heterossexuais. Não sei de onde tiraram essa ideia equivocada. Eu não entendo. Parece que a gente não sonha e não tem nossos direitos”, disse Luana.

Mesmo com preconceito familiar, Luana e Antônia celebraram união no casamento coletivo – Foto: Luan Cesar G1

Antônia contou que, mesmo com o preconceito enfrentado na família, resolveu levar a própria vontade adiante para ser feliz. Mesmo sabendo que algumas etapas difíceis devem ser enfrentadas, ela relatou que não vai ser afetada.

“Também era um sonho meu. Me sinto feliz com ela [Luana]. Ela me respeita e cuida de mim. Pensei muito, mas o amor falou mais alto”, diz.

Juntos há quatro anos, Adevilson Lustosa e Matheus Sampaio também legalizaram a união estável. Eles avaliam que casamento coletivo é a conquista de uma vitória tanto para os dois como para outras pessoas que têm a mesma vontade.

“É uma mistura de emoções. É o primeiro casamento coletivo de casais homoafetivos e a primeira vez que caso. Aqui tudo é primeiro”, brincou Lustosa.

Eles afirmaram que receberam apoio das famílias, amigos e colegas de trabalho quando contaram que casariam. Lustosa lembrou que a cada passo, os homossexuais estão conquistando direitos amparados em lei. O casal pretende comemorar a celebração em uma viagem no ano que vem. “Quero incentivar outros casais a não se esconderem mais e lutar por seus direitos”, enfatizou Lustosa.

Portal G1/AC