Cantiga de desencanto

Tão perto de mim…
E às vezes eu penso
Que tenhas partido…
Pois tu não consegues
Ouvir meu gemido.

Com teu próprio lenço
Enxugo uma lágrima
Que mora em meu rosto…
Mas tu não consegues
Sentir meu desgosto…

Meu tempo passando..
Meu sonho em declínio…
Ser quase não sendo!
– Por isso não vês
Que estou eu morrendo…

Da vida o crepúsculo,
Um mundo cinzento…
Um céu incolor…
Mas tu não me falas
De amor… mas que amor?

Depois que eu me for
Talvez que tu corras
Pra me socorrer…
Mas já será tarde…
Não vai mais doer.

Quebrando a cara

(O fato aqui descrito foi motivo de muita gozação por parte de amigos e aconteceu na Praia do Futuro, Fortaleza, Ceará, em 1991)

O teu corpinho bonito
Vestido em seda tão fina,
Acendeu, doce menina,
O meu desejo maldito…
E o vento me vendo aflito,
Ansioso e de tocaia,
Levantou a tua saia,
Mas do prazer me privou,
Pois nos meus olhos jogou
A areia fina da praia…

Quando o vento foi passando,
Que eu me livrei da poeira,
Fui cometer a besteira
De sair te procurando…
A todos fui perguntando
Pra onde tu tinhas ido…
Mas o sujeito enxerido
Tem sempre a sorte malvada:
– Fui encontrar-te sentada
No colo do teu marido.

(*) Penitente do tempo e do espaço … e não sei mais o quê