Café Granada, uma explosão de sabor

Fotos: Cedidas

Ramal em Acrelândia concentra metade da produção acreana da bebida que só perde para a água em consumo entre os brasileiros

Tião Maia

Na definição clássica da língua portuguesa, granada é um artefato bélico que contém explosivo ou agente químico (incendiário, fumígeno ou lacrimogêneo) e que se lança com a mão ou por meio de arma de fogo contra os inimigos. É, portanto, uma arma de guerra. Ou, noutra definição, é um termo que vem do latim “grantus” e que significa “grão”. No quilômetro 90 da BR-364 e mais doze quilômetros de estrada de chão, na região conhecida como Bonal, no município de Acrelândia, granada não é uma coisa nem outra. É uma marca de café de altíssima qualidade que, na apresentação, na embalagem, faz uma referência ao sentido clássico do explosivo – uma “Explosão de Sabor”, segundo o “slogan” de apresentação do produto – mas na verdade nada tem de destrutivo, muito pelo contrário.

A marca, na verdade, chama-se Granada em alusão ao ramal no qual mora a maioria dos produtores associados à Cooperativa dos Cafeicultores Familiares Novo Ideal, uma organização que congrega cerca de 20 produtores e seus familiares. Gente como o presidente da Associação, Ednaldo farias da Silva, de 39 anos, casado, pai de dois filhos, ou como seu tio, Araújo Farias Filho, de 53 anos, que planta café desde que era criança no estado do Espírito Santo. Juntos, os dois têm pelo menos 15 hectares de café plantado.

“Minha família planta café desde os tempos do meu avô”, disse Araújo, capixaba de nascimento assim como o sobrinho e o restante da família. No ramal onde vivem os cooperados que plantam cerca de 1.500 hectares de café, ninguém sabe exatamente a razão de a localidade se chama Granada. “Deve ser porque granada lembra guerra e viver aqui, quando chegamos, era mesmo um ato de heroísmo. Viver aqui era uma guerra”, diz Ednaldo, que chegou ao local, assim como o tio e demais familiares, faz cerca de 26 anos.

“O Acre daqueles tempos era uma dificuldade. Quando a gente disse, lá no Espírito Santo, que estava vindo para o Acre, nossos amigos e parentes que ficaram por lá disseram que nós éramos doido”, conta Ednaldo. “A gente sabia que as coisas eram difíceis, mas não imaginamos o que ia encontrar pela frente”, acrescentou.

Mas a vida mudou muito por ali, reconhecem os produtores. Parte dessa mudança, eles também reconhecem, se deve muito ao apoio do governo do Estado nas parcerias com os produtores. O secretário de Agricultura e Pecuária (Seap), que representa o governo nas andanças por ali, é quase endeusado, destacam os produtores como Ednaldo Farias. Dono de uma área de 74 hectares, o presidente da Associação Novo Ideal diz tem pouco mais de 7 hectares plantadas que os tempos de sacrifício ficaram para trás e que a entidade e ele próprio se preparam para produzir café suficiente para suprir pelo menos 30 por cento de todo o produto que é consumido no Acre. Dados da secretaria de Agricultura e Pecuária (Seap), informam que o Acre importa mais de 70 por cento do café consumido pelos acreanos. E o cafezinho é preferência nacional, a segunda bebida mais consumida no País, perdendo apenas para a água. Dados de uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), em parceria com o Consórcio Pesquisa Café e coordenado pela Embrapa Café, realizada no período de novembro de 2013 a outubro de 2014, a estimativa é de que este consumo está crescendo anualmente não somente no Brasil mas no mundo todo. No período pesquisado, o consumo interno de café beneficiado no Brasil passou de 20,085 milhões de sacas de 60 kg para 20,333 milhões de sacas. Assim, o consumo per capita também aumentou ligeiramente no período, subindo de 4,87 kg/habitante/ano para 4,89 kg/habitante/ano de café torrado e moído e de 6,09 kg de café verde em grão para 6,12 kg, o que equivale a aproximadamente 81 litros/habitante/ano.

Tião Viana destaca união entre governo e produtores em busca de saída econômica

É de olho nesses números que a Cooperativa dos Cafeicultores Familiares Novo Ideal e o Governo do Estado, através da Seap, estabeleceram parceria para que sejam colhidas no Acre, em 2017, cerca de 2500 hectares. Do total, pelo menos 50 por cento está plantada na região de Acrelândia, incluindo o Ramal Granada. Ali, o café é plantado, industrializado, empacotado e comercializado.

“Essa é a nossa luta e união pelo Acre. Estamos fechando um investimento de mais de um milhão e duzentos mil pés de café, não tem nenhum precedente desse esforço no estado. E a nossa meta é um alcance de dois milhões de pés de café como atividade de governo para fortalecer a produção no Acre”, destacou Tião Viana ao participar da solenidade de início da colheita no ramal Granada, na semana passada. O governador estava acompanhado do secretário da Seap, José Reis, do secretário Sibá machado, da Indústria e Comércio e do ex-secretário e atual deputado Lourival Marque, além de lideranças rurais vindas de vários outros lugares do Estado interessadas em aprender plantar café. Estiveram presentes num ato público realizado na sede da Cooperativa Novo Ideal, lá no Granada, produtores e compradores de café da Transacreana, Plácido de Castro, Brasileia, Capixaba e Bujari.

O deputado estadual Lourival Marques diz que ações como essas demonstram o compromisso do governo em tornar o Acre um estado forte e produtivo. “Estamos celebrando o início da colheita e os investimentos que o governo tem feito. Isso demonstra que o Estado pensa na agricultura como um todo e leva condições para o produtor familiar”, disse.

“Agradeço ao governador pela sua visão de governo e sociedade, pois já movimentou quase quatro bilhões em seu governo para investimentos em todos os setores de nosso estado. Somando os investimentos da Seap, Seaprof e Meio Ambiente, chegamos a R$ 250 milhões disponíveis para investir no setor produtivo até o próximo ano”, concluiu.

Secretário diz que meta é chegar a mais 2 milhões de pés plantados em todo o Acre

O secretário José Reis, que iniciou o programa da cafeicultura no Acre em 2011, quando era gestor da recém-criada Secretaria de Estado de Pequenos Negócios (SEPN), no início do primeiro mandato do governador Tião Viana, disse que, para suprir a necessidade e o consumo interno, o Acre precisa de pelo menos mais 2 milhões de pés de café plantados em dez mil hectares e terra. “Se a gente conseguir chegar a isso até o final de 2018, teremos garantido muitos avanços para a economia local nesta área”, disse José Reis.

Além, de Acrelândia, há boa movimentação econômica criada com a cultura do café nos municípios de Manuel Urbano, Feijó e Brasiléia. “Nós já tivemos cinco mil hectares de áreas plantas de café no Acre. Isso não faz muito tempo. Foi no governo Jorge Viana, no primeiro mandato. Agora, estamos com 2.500 hectares. Mas podemos avançar bem mais”, disse o secretário.

No Granada, os produtores e os técnicos do governo já se preparam para as atividades cafeeiras num galpão com quatro secadores de café, que possui capacidade para secar até 720 sacas por dia. A construção desse galpão foi uma articulação do governo, por meio da Secretaria de Estado de Agropecuária e Pecuária (Seap), com a cooperativa dos produtores de Acrelândia e a prefeitura. Com o galpão, que permite o benefício do café, uma saca de 40 quilos, que era vendida sem beneficiamento a R$ 80,00, depois de beneficiada chega a custar até R$ 450, 00. “Isso é uma revolução que está sendo feita na zona rural por este governo do Tião Viana, pelo nosso governo”, disse o secretário Sibá Machado.

O secretário Sibá Machado, quando deputado federal, deu sua contribuição e alocou até R$ 2 milhões em emendas para investimos em maquinários. “Foi com a ajuda do Sibá que conseguimos comprar equipamentos e o caminhão que deslocamos para os locais de produção para secar e descascar o café”, disse José Reis.

Prefeito de Acrelândia reconhece o esforço do governo estadual para ajudar produtores

O prefeito de Acrelândia, Ederaldo Caetano, afirmou que o apoio do governo é fundamental para a cultura do café em seu município e agradeceu ao governador Tião Viana e ao secretário José reis pelo empenho e consolidação do programa cafeeiro na região. “Estamos felizes por ter um governo que acredita e investe na agricultura. Investe na produção com mudas a mecanização. Acrelândia hoje é referência no estado em nível de café”, disse Caetano.

Cesar Alpena, o Pininho, é o produtor rural mais antigo da região. Ele testemunhou sobre o dia a dia nas lavouras e agradeceu ao governo pelo trabalho que vem sendo desenvolvido nas comunidades. “Estou aqui para agradecer ao governador e a todos que nos ajudam a desenvolver esse trabalho que vai desde a distribuição das mudas, da mecanização ao uso do maquinário. Isso prova que o governo acredita na gente e nos dá oportunidades”, disse o produtor.

Gerente de banco anuncia R$ 15 milhões para financiamentos

O gerente do Banco da Amazônia em Acrelândia e Plácido de Castro, José Cordeiro, que fez parte da comitiva do governo do estado na visita aos produtores rurais da região, anunciou que, para os produtores dos dois municípios, a instituição de dispõe de disponíveis mais de R$ 15 milhões em linhas de crédito. Dinheiro destinado ao desenvolvimento da produção rural. “O Banco da Amazônia continua de portas abertas e disposto a parcerias que visam fortalecer a produção do café nessa região”, disse Cordeiro, acrescentando que esse valor, a depender das necessidades dos produtores, pode aumentar.