Bolzonazi não pode ser candidato

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Emir Sader

Uma primeira possibilidade é que o seu vice participe dos debates. Se ele quiser, desminta tudo o que ele diga. Mas vai estar afirmando por seu vice, seu substituto legal, em debates públicos.

Uma segunda possibilidade é que uma Junta Médica isenta o examine e determine suas reais condições de saúde. O que é importante, tanto para determinar se efetivamente ele não pode participar de debates ou se se trata de uma forma torpe de fugir aos debates ou até mesmo se ele não tem condições de saúde suficientes para assumir a presidência da república, caso seja eleito. Ou se deve renunciar.

Uma terceira possibilidade é adiar o segundo turno até que o candidato tenha condições de participar dos debates públicos.

Uma quarta é, considerando-se que se está escondendo as condições de saúde reais do candidato, impedir que ele continue candidato e se trate de uma fraude, porque, caso fosse eleito, seria seu vice quem seria presidente. Um vice desautorizado várias vezes pelo próprio candidato.

Uma quinta é alterar o calendário dos debates, para os que dois cumpram com o compromisso assumido pelas duas candidaturas, para participar dos seis debates públicos.

O que não é possível é essa manipulação obscura do estado de saúde do candidato, em função do que ele considera que sejam suas conveniências políticas. No debate a Globo já ficou claro que ele teria condições de ter participado, a ponto que deu longa entrevista a outro canal.

Não é possível alguém querer se eleger presidente do Brasil tendo participado apenas de um debate público, em que não estava presente o outro candidato favorito para ser eleito. Ainda mais que o seu programa é absolutamente obscuro. Ele afirma posições sobre o pagamento de imposto de renda, por exemplo, que não constam do seu programa.

Ninguém pode querer ser eleito presidente do Brasil fazendo campanha baseada em fakenews, com declarações monstruosas sobre tantos temas e depois fugir, literalmente, do debate. Como se se pudesse substituir a vontade libre do povo por uma armadilha, com ameaças, agressões e assassinatos de quem discordar. E com fuga de debate publico.

Já houve demonstrações claras de que o candidato gostaria de fugir dos debates. Não se pode tolerar uma estafa como essas, no segundo turno das eleições presidenciais, como se tratasse de um picadeiro de circo.

Um presidente da república só pode ser eleito depois de conhecidas, publicamente, suas posições, seus valores, sua postura como dirigente político. Ou ele se dispõe a isso, ou o TSE eleitoral deve cancelar sua candidatura.

É um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

Fonte: https://www.brasil247.com