Aventura nos Andes

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*Por Valden Rocha – Vou ali nos andes de bicicleta. É isso mesmo, você não leu errado. Há quase um ano e meio decidi que iria pedalando de Assis Brasil a Cusco. Quando eu falava para amigos e parentes do meu desafio, as reações eram as mais diversas, como, por exemplo: “Você ficou louco?”; “Não tá velho demais pra essa aventura?”: “Rapaz, que bacana!”; “Já fez teste de sanidade mental?”

O que normalmente as pessoas classificam de loucura, pra mim vai além de um projeto pessoal ou de um mero desafio de conseguir ou não concluir o percurso.

Em torno da bicicleta vem-se construindo debates sobre as questões ambientais, de saúde, modelo de urbanização e mobilidade urbana, entre outros temas. Recentemente, no Brasil, a bicicleta tem sido protagonista de um novo debate: o cicloturismo.

Em alguns países, principalmente os da Europa, há investimentos que fortalecem, estruturam e incentivam as viagens em que se utiliza a bicicleta como meio de transporte. Em várias regiões, essa modalidade de turismo já encabeça o ranking das formas de viagem mais procuradas.

Aqui no Brasil, lamentavelmente, os investimentos em cicloturismo ainda são irrelevantes. Apenas o Vale Europeu, que fica localizado em Santa Catarina, percebeu a necessidade em aplicar recursos nessa modalidade de turismo, que já acontecia e foi se consolidando. Os investimentos resultaram na primeira Rota Cicloturística do país.

A região amazônica e os Andes têm um potencial inacreditável para o turismo, principalmente para o turismo de aventura. Os nossos vizinhos “patrícios”, do Peru, já acordaram para isso faz tempo, e não me refiro somente a Cusco, local que recebe milhares de turista do mundo todo. A Amazônia peruana tem expandido gradativamente o turismo local.

Um olhar atento e pronto, você avistará ciclistas viajantes, aqui por Rio Branco mesmo, sempre de passagem para o Peru ou retornando por aqui.

A “falta de sanidade mental” é a concretização de um sonho. Os amigos sabem do amor que tenho pelas bikes, pela Amazônia e por viajar. Joguei tudo no liquidificador, uni as três coisas e vou nessa aventura buscar vencer mais esse desafio na vida.

Nessa viagem, eu não busco recorde de velocidade ou de tempo a ser percorrido. Quero conhecer lugares, pessoas e suas histórias, fazer pequenos mergulhos na cultura local, participar, nem que seja minimamente, da vida das cidades e seus povoados. E quem sabe, ajudar na consolidação de uma rota de cicloturismo, que já existe.

Bueno! Mi voy a Cuzco, pero vuelvo. Hasta pronto!

Ei, voltei! Já ia esquecendo. Você que está lendo também pode ir junto. Embarca nessa aventura comigo e vamos na minha garupa. Proposta ousada, não?!

Criei 50 adesivos, que colados na minha bike, farão esse percurso comigo. Sol e chuva. Os adesivos são assinados pelos amigos que contribuírem com uma doação para a viagem. Detalhe importante, que talvez te interesse: vou sobreviver (durante a viagem) do dinheiro arrecadado e doado pelos amigos. Espero não passar fome! (risos).

Agora sim: hasta luego!

* Biólogo, cicloativista, adepto do transporte ativo, locomoção a pé ou de bicicleta no dia a dia