Áudio de Carlos Coelho revela mais que intenção de Cameli em enfraquecer Vagner Sales

Delonga em definir chapas proporcionais entre PP, PSD e MDB apontam manobra do senador em desidratar ao máximo os aliados políticos, para assim, reinar sozinho em caso de vitória

Da redação

As revelações do professor Carlos Coelho, que nos últimos anos tem se especializado em estratégias eleitorais, feitas em mensagem de voz endereçada a um dos coordenadores de campanha do senador Gadson Cameli (PP), pré-candidato ao governo, são mais graves que podem, a princípio, parecer. O conteúdo da gravação, vazada do WhatsApp, revela bem mais do que o descontentamento do MDB de Flaviano Melo e do PSD de Sérgio Petecão quanto ao marasmo com que vem sendo conduzido o processo de aliança proporcional das três siglas.

Em um alerta típico de quem sabe o poder que têm as metáforas para retratar os fatos, Coelho chega a afirmar, que no grupo do senador, há quem ‘esteja comendo sardinha e arrotando camarão’ – em alusão à pretensa vitória nas eleições de outubro.

Como não há eleição que se possa ganhar por antecipação, lembra Carlos Coelho, urge que o senador Gladson Cameli apresse o passo com a finalidade de contemplar os partidos que lhe emprestam apoio.

E numa confidência de quem está por dentro dos fatos, acrescenta que em recente reunião dos emedebistas, estes trataram de decidir que, uma vez desconsiderada a aliança proporcional, haverão de trabalhar apenas para eleger Marcio Bittar para o Senado, reconduzir Flaviano Melo à Câmara Federal e cuidar dos seus candidatos a deputado estadual.

O buraco é mais embaixo

Ocorre que a pachorra de Gladson tem um significado mais amplo do que se imaginou no começo das ranhuras que levaram ao racha definitivo entre o prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, e seu antecessor, Vagner Sales – de cuja refrega, por sinal, o senador tratou de se manter distante, como se nada tivesse a ver com ela.

Até o vazamento do áudio de Coelho, se imaginou que a intenção de Cameli se restringia a enfraquecer Sales no Juruá, em cuja região, a partir disso, o senador haveria de reinar absoluto.

Ocorre que o corpo mole do pepista em atender ao PSD e ao MDB faz parte de um plano ainda mais audacioso. Sobretudo em relação a este último, fiou patente, nas queixas de Coelho, que Cameli intenta mesmo é apequenar a sigla, na ânsia de que ela, uma vez vencida as eleições estaduais, não venha a ter musculatura para dividir o governo com ele.

Quanto mais desidrato estiver o MDB de Flaviano e Bittar, menos estes terão forças para pleitear nacos de poder num possível governo de Gladson Cameli.

Ora, o raciocínio é válido também para o PSD. Trata-se, afinal, de tentar abater dois coelhos como uma só cajadada.