Após operação da PF, Idaf-AC diz que fiscalização de frigoríficos é rigorosa

Em Rio Branco, 475 cabeças de gado foram leiloadas  (Foto: Fabrizio Zaqueo/Divulgação)
Idaf-AC diz que carne do Acre passa por fiscalização rigorosa e que consumidores podem ficar tranquilos – Foto: Fabrizio Zaqueo/Divulgação

Após os impactos da Operação “Carne Fraca”, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 17 de março, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) afirmou que a fiscalização dos frigoríficos do estado ficou mais rigorosa. O diretor-presidente do órgão, Ronaldo Queirós, disse que os consumidores podem ficar tranquilos em relação à qualidade da carne que é vendida nos açougues.

Queirós diz que para fiscalizar a produção de carne, o Idaf-AC possui uma gerência de inspeção animal em quase todos os municípios, exceto nas cidades mais isoladas onde são montados escritórios do instituto. Nessas gerências, ficam veterinários responsáveis pela defesa e inspeção sanitária.

“Temos dois frigoríficos grande no estado que são sifase – passam por inspeção e fiscalização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – o restante, que acompanhamos, são do Serviço de Inspeção Estadual (SIE). Em Rio Branco, há somente um frigorífico municipal. Todos os do interior também são avaliados periodicamente”, afirmou Queirós. O diretor destacou ainda que dois frigoríficos municipais foram fechados em 2016 por não atenderem as normas exigidas para fazer o abate de animais. Um deles foi matadouro de Manoel Urbano, no interior do Acre, onde os animais eram mortos a marretadas. Além disso,  não havia câmara fria para guardar a carne. A Guia de Trânsito Animal (GTA) do matadouro foi cassada pelo Idaf-AC e o local não deve voltar a operar.

“O abate do animal não pode mais ser feito com machados ou coisas do tipo, é preciso uma pistola de choque apropriada. Também verificamos as condições de higiene do abatedouro. Todos devem atender as normas do Mapa e instrução normativa do Idaf-AC. Dos três que fechamos, dois já estão se readequando que são os municípios de Capixaba e Assis Brasil. Agora, o de Manoel Urbano não possui condições de funcionar”, afirma.

Em Assis Brasil e Capixaba, segundo o diretor, está sendo criada uma lei de inspeção municipal que não existia em nenhum dos municípios. A partir dessa lei, o Idaf-AC vai poder ir até o local e informar o que deve ser feito novamente no prédio para que seja liberado o abate de animais.

Para os consumidores que estão receosos em comer carne após a Operação “Carne Fraca”, Queirós afirma que hoje a melhor carne do Brasil é a produzida no Acre. O motivo, segundo ele, é o capim ingerido pelos animais que não contém produtos para engordar o gado.

“Temos uma carne “verde”, os animais não ingerem produtos, o capim que eles comem é o que nasce normalmente na terra. Nossa carne é forte e tem qualidade. Quando damos o carimbo de certificação do estado é porque garantimos à população que estão ingerindo um produto de qualidade e podem comer sem problemas”, finaliza.

Operação “Carne Fraca”

A operação da Polícia Federal, foi deflagrada em 17 de março, e desmontou um esquema de funcionários do Ministério da Agricultura que teriam recebido propina para liberar carne para venda sem passar pela devida fiscalização. A operação aconteceu em 6 estados e no DF, com 35 pessoas presas – e há ainda dois investigados foragidos. O Ministério da Agricultura afastou 33 servidores envolvidos no esquema.

O esquema também envolvia funcionários de alguns frigoríficos. Segundo a PF, as irregularidades encontradas nos frigoríficos vão desde uso de produtos químicos para mascarar carne vencida a excesso de água para aumentar o peso dos produtos. Segundo a polícia, alguns desses produtos seriam cancerígenos.

Diante da repercussão da operação, União Europeia, China e Coreia do Sul anunciaram restrições temporárias à entrada de carne brasileira. O Chile também suspendeu tenporariamente a exportação de carne brasileira. O Ministério da Agricultura afirmou que proibiu, preventivamente, a exportação de carnes produzidas pelos 21 frigoríficos investigados na operação “Carne Fraca”. A comercialização dentro do Brasil foi mantida.

G1/AC