Após a ilusão e a corrupção, Temer vai ao delírio

Foto: Cedida Arquivo

Num sucesso feito de marketing, cada vírgula corresponde a uma trapaça. Michel Temer descobriu da pior maneira que a marquetagem, quando é demasiada, acaba engolindo o marquetado. O que mais chamou atenção nos festejos do segundo aniversário do governo foi o slogan: ‘’O Brasil voltou, 20 anos em 2’’. Piada pronta. Com a vígula, Temer vira um neo-JK e o país avança duas décadas em dois anos. Sem ela, Temer se converte num lunático que celebra o retrocesso.

Ridicularizado, Temer ralhou com o marqueteiro Elsinho Mouco e abandonou o slogan. Mas manteve-se na trilha do ridículo. O discurso que pronunciou na pajelança dos 2 anos provocou tédio e espanto. Foi tedioso porque o orador utilizou, mecanicamente, os símbolos de sempre. Foi espantoso porque Temer revelou-se o único brasileiro além dos seus áulicos a não se dar conta de que a única simbologia que seu governo conseguiu transmitir em dois anos foi a marca da corrupção.

Foi graças à corrupção que Temer atingiu o ápice da autossuficiência. Ele mesmo prometeu o céu, ele mesmo mergulhou o governo no inferno e ele mesmo faz o favor de explicar aos 70% de bobalhões que o desaprovam que nunca ninguém administrou o Brasil tão mal tão bem quanto ele.

O governo Temer divide-se em três etapas. A fase da ilusão reformista foi interrompida pelo grampo do Jaburu, que deu início ao ciclo da descoberta da corrupção alarmante. Vive-se agora o estágio do delírio. Sob o risco real de ser preso ao deixar o cargo, Temer brinca de estadista à beira do precipício.

Temer não pode levar o nariz ao meio-fio sem que seus ouvidos sejam invadidos por vaias. Mas prega a “pacificação” do país. Acusado de desonestidades que afrontam os preceitos morais e éticos previstos na Constituição, ele leciona: “Não podemos ter o descumprimento permanente do texto constitucional.” O presidente das mesóclises tropeça na vígula sem se dar conta de que a plateia avalia que seu governo não merece senão um ponto final.

Fonte: Jornalista Josias de Souza, no Blog do Josias

91% dos deputados alvo da operação Lava Jato vão disputar a eleição neste ano

Dos 55 deputados federais alvo de inquéritos e ações penais na Operação Lava Jato, 50 (o equivalente a 91% do total) vão disputar as eleições deste ano, de acordo com levantamento feito pelo Estado. A maior parte dos parlamentares (42) disse que disputará a reeleição; quatro pretendem concorrer a uma vaga no Senado; 2 a governos estaduais; um ao Legislativo estadual e um à Presidência da República. Três deputados não responderam ou estão indecisos, enquanto apenas dois disseram que não vão ser candidatos.

Foto: Reprodução

Se eleitos para o Congresso, eles mantêm foro privilegiado para ser investigados e julgados em casos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Com o novo entendimento firmado pelo STF, no entanto, o foro para parlamentares federais só vale para crimes praticados no mandato e em função do exercício do cargo. Crimes comuns realizados antes de assumirem seus cargos ou sem nenhuma ligação com os mandatos podem ser julgados por tribunais de primeira instância.

Na terça-feira, o STF julgará o primeiro político com foro na Corte no âmbito da Lava Jato, quase dois anos após aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Será o caso do deputado Nelson Meurer (PP-PR), réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é um dos que responderam que não pretendem concorrer neste ano.

Fonte: Notícias Brasil Online