Amadeus, filme de 1984 do diretor Milos Forman

Imagem do filme Amadeus (1984), retirada do site: https://www.cineclick.com.br/amadeus

Amadeus (1984)

Direção: Milos Forman; Produção: Saul Zaentz; Roteiro: Peter Shaffer, baseado em sua peça; Fotografia: Miroslav Onddriecek; Elenco Principal: F. Murray Abraham, Tom Hulce, Elizabeth Berridge, Simon Callow, Roy Dotrice, Christine Erbesole, Jeffrey Jones, Charles Kay e Kenny Baker. Colorido. Duração: 160 mim. Classificação Indicativa: 14 anos; Origem: EUA

SINOPSE

O ano é 1781 e Antônio Salieri (F. Murray Abraham) é o competente compositor a serviço do Imperador. Mas quando Mozart (Tom Hulce) é apresentado à corte, Salieri se surpreende ao descobrir que todos os talentos musicais que sempre desejou foram dados a um moleque brincalhão. Enlouquecido pela inveja, Salieri não medirá esforços para destruir Mozart. Nem que para isso seja preciso matá-lo.

RESENHA DO FILME

Vivemos em pleno século XXI, mantendo nossas paixões, muitas vezes boas e outras perversas. Nos sentimentos, temos as características latentes que nos definem como seres humanos. Estas nos acompanham em nosso íntimo, podendo trazer o que há de melhor e pior em nossos corações.

A inveja, talvez seja o tormento mais destrutivo na vida de uma pessoa, pois ele pode consumir todas as forças da vida do algoz e da vítima. Criando uma ligação venenosa e indissolúvel durante toda uma existência. Possivelmente por isso, a arte, a literatura, a música e o cinema nunca deixam de abordar este tema tão antigo e ao mesmo tempo tão atual na história da humanidade.

No filme Amadeus, encontramos uma história leve, tocante e profundamente reflexiva sobre a condição humana, com direito a grandes delírios de grandeza e mediocridade. E ainda com passagens divertidíssimas e memoráveis. A narrativa se desenvolve através da percepção que o protagonista Antônio Salieri tem sobre si mesmo, e também a que o mesmo possui em relação ao seu arqui-inimigo Wolfgang Amadeus Mozart, o célebre compositor que é reconhecido como o maior gênio da música de já existiu.

Na trama o invejoso Salieri, já idoso, em um hospício, no momento de sua confissão a um padre relembra sua vida e convivência com o irreverente, amoral e genial Mozart. Inimigo que ele acredita ser responsável de provocar a desgraça e a morte, pois devido a uma imensa inveja que lhe corroía a alma, fez tudo para destruir o gênio prodígio, que morreu com apenas 35 anos.

Mesmo sendo um grande compositor á serviço do Imperador José II, Salieri conquistou seu espaço na Corte com muito esforço e obediência a Deus, temendo e respeitando seus mandamentos. Acreditando que seu sucesso se devia a isso, quando conhece o terrível Mozart, com seu comportamento livre, libertino e transgressor fica chocado.

E não aceita como Deus privilegiaria com dom que considera tão divino, um ser que não se submete a moral da época, desfia as autoridades eclesiásticas, se sente superior aos demais e vive para a própria satisfação pessoal. Sua admiração inicial se transforma em uma profunda inveja, que por fim revela-se um ódio mortal capaz de destruir Mozart e Salieri.

A cena final se desenrola demostrando a criação da obra mais famosa Wolfgang Amadeus Mozart, o “Requiem”, com uma pequena colaboração de Antônio Salieri. A tragédia parece inevitável, e mesmo que não haja redenção aos dois protagonistas na trama, as suas obras são o melhor presente que podem deixar para a eternidade.

Vale ressaltar que, apesar do filme contar com personagens biográficos reais, do século XVIII. A história é fictícia na maioria dos relatos. Wolfgang Mozart e Antônio Salieri eram amigos, na vida real, inclusive este era padrinho de uns dos filhos de Amadeus. Mozart compôs a “Missa Fúnebre Requiem em Ré Menor” com a finalização de seu discípulo Franz Xaver e morreu de uma infeção da garganta, de acordo com as mais recentes descobertas. O compromisso da narrativa não é com a veracidade histórica, mas sim em explorar o complexo mundo das relações humanas.

O filme é uma película magnífica do cinema, sendo reconhecida pela crítica e público. Indicado a 53 prémios em vários países e vencedor de 40 premiações. Incluindo 8 Oscars, entre eles destaque para: Melhor Filme (Amadeus); Melhor Diretor (Milos Forman); Melhor Ator (F. Murray Abraham) e Melhor Roteiro (Peter Shaffer). Tanto o compositor Mozart (1756-1791) quanto à obra cinematográfica Amadeus (1984) têm influência na nossa cultura até hoje.

  • Bibliografias Consultadas:
    Livro: 1001 filmes para ver antes de morrer/editor Steven Jay Schneider (Tradução Carlos Irineu da Costa, Fabiano Morais e Lívia Almeida) – Rio de Janeiro: Sextante, 2008.
    Sinopse retirada do DVD do filme Amadeus (1984) lançado em 2012, pela Warner Bros.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Wolfgang_Amadeus_Mozart
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Requiem_(Mozart)
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Amadeus
    http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1272318-16020,00-

Por Liv Oliveira, Bacharel em Direito, aprendiz de crítica de filmes