Tese de Jorge Viana

Foto: Agência Senado

“As teses de Bolsonaro não são cristãs”, disse o senador Jorge Viana (PT), em entrevista ao jornalista Roberto Vaz veiculada ontem, 26. “Fico assustado quando vejo bons cristãos embarcando nisso. Acho que não precisava ser desse jeito, com violência contra os outros”, completou o parlamentar, que se despede do mandato em fevereiro após derrota nas urnas.

Do século passado

Durante a conversa, Jorge Viana afirma que o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, que disputa neste domingo, 28, o segundo turno contra o petista Fernando Haddad, traz ideias do século passado.

Inadmissível

“Como é que a gente poderia imaginar que um dia alguém teria coragem de votar em quem diz defender a tortura, que já colocou como solução matar 30 mil pessoas, mesmo que houvesse inocentes no meio?”, questiona.

Declarações polêmicas

O senador, que ficou em terceiro lugar na disputa eleitoral no último dia 7, também criticou as declarações tidas como homofóbicas por parte de Jair Bolsonaro e acredita que o Brasil pode se diminuir diante do mundo com uma eventual vitória do candidato. Ele manifestou ainda o desejo de que “isso acabe no domingo, porque a gente precisa pacificar o país”.

Famílias divididas

Viana se diz preocupado não com o adversário de Haddad, mas sim com seus eleitores. “As famílias estão se dividindo. É triste ver as pessoas se bloqueando [sobretudo nas redes sociais] por conta da eleição”.

Falsas notícias

Outro assunto comentado pelo ex-governador foram as “fake news”. Nesta semana, ele e outros senadores visitaram o gabinete da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, para manifestar sua preocupação com as denúncias de que as eleições estariam sendo influenciadas negativamente por notícias falsas, vias redes sociais, com suposto envolvimento de empresas para favorecimento da candidatura de Bolsonaro.

Propostas

“A evolução tecnológica andou mais rápido que os governos e a legislação. Levamos à ministra uma proposta que votamos em uma comissão do Senado e aprovamos em plenário. Ela tipifica o crime cibernético. Hoje você não tem como punir as fake news, que destroem reputações”.

Sem comentários

Jorge Viana respondeu que agora não é o momento para avaliações [sobre sua derrota] e que só as fará no ano que vem.

Momento de gratidão

“A eleição ainda não acabou. Estou apenas agradecendo os eleitores. Ganhei tantas eleições e agora as pessoas resolveram que eu não deveria ser eleito. Eu não posso ficar chateado com elas. A população já me elegeu governador duas vezes com votação recorde no Brasil, me deu uma aprovação fantástica, e me elegeu prefeito e senador. Eu não tenho o direito de ficar chateado”.

Longe do fim

O parlamentar disse ainda esperar que este não seja o último capítulo de sua longa trajetória de vida pública e citou uma frase do célebre escritor português José Saramago: “O ruim da vitória é que ela não é pra sempre e o bom da derrota é que ela também não é pra sempre”.

Marcha da insensatez

Foto: Divulgação

O juiz Pedro Henrique Alves, da 1ª Vara da Infância e Juventude do Rio de janeiro, ontem, determinou que o Facebook e o Youtube retirem do ar o vídeo em que crianças repetem frases ditas por Jair Bolsonaro, o deputado e candidato à Presidência da República.

Proteção às crianças!

A representação foi feita pelo MP do Rio, alegando que “os responsáveis teriam, indevidamente, feito uso de imagem de crianças/adolescentes, com linguagem inapropriada e apologia à prática de crimes e intolerância”.

Ignomínia

Entre as frases ditas por Bolsonaro e repetidas por crianças e adolescentes no vídeo estão: “Eu sou favorável à tortura”, “O grande erro da ditadura foi torturar e não matar”, “esse dinheiro do auxílio-moradia eu usava para comer gente”, “pobre só tem uma utilidade no nosso país: votar com diploma de burro no bolso”.

Multa

O Facebook e Youtube, a partir da determinação, tiveram prazo estipulado em cinco horas para tirar os vídeos do ar, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

Orientações sobre voto

Após a Polícia Federal cumprir, ontem, mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Eleitoral do Acre, em apuração a suposto o crime de violação do sigilo do voto por parte de um eleitor que filmou dentro da cabine de votação, no momento em que escolhia seus candidatos no primeiro turno das eleições, a presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), desembargadora Regina Ferrari, e a superintendente da Polícia Federal, delegada Diana Calazans, atenderam à imprensa com o objetivo de orientar eleitores a não utilizarem celular ou câmera fotográfica na cabine de votação.

Crime

Regina Ferrari lembrou que a conduta é proibida e configura crime previsto no artigo 312 do Código Eleitoral.

Investigações em andamento

Já a delegada Diana Calazans afirmou que a PF realiza investigações em andamento, por requisição do TRE, dos juízes eleitorais e do Ministério Público Eleitoral. “Essa situação do primeiro turno se tornou pública porque o próprio eleitor postou nas redes sociais esse vídeo, de forma bastante imprudente, o que levou o TRE e os juízes eleitorais a identificá-lo e a pedirem providências para a PF”, esclareceu ela.