Professor lança livro ‘Vidas em Cárcere’ após ouvir relatos de 23 detentos em presídio no Acre

Por Quesia Melo

O que começou como uma pesquisa sobre educação em unidades prisionais, acabou se tornando um livro com relatos de 23 presos sobre a vida dentro da Unidade de Regime Fechado 3 (URF-3), no presídio Francisco d’Oliveira Conde, em Rio Branco.

Em “Vidas em Cárcere”, do autor Carlos Barbosa, os próprios detentos relatam suas histórias de vida e o que os levaram a se envolver com a criminalidade. O livro foi lançado na no dia 3 de novembro, na Livraria El Shadai, no bairro Bosque, na capital acreana.

O projeto é antigo e, inicialmente, a ideia era fazer um projeto de pesquisa que seria transformado em uma tese de mestrado sobre o processo de aprendizagem nos presídios. Porém, ele lembra que os relatos eram mais amplos do que ele imaginava.

“Só consegui concretizar o projeto no ano passado após a autorização da coordenação. Foi por um acaso que decidi publicar essas histórias. Eu conversava com um preso por dia por cerca de uma hora na biblioteca da unidade sempre com agendamento e acompanhamento de um agente penitenciário”, relata.

Os presos foram entrevistados de forma aleatória. Barbosa falou com mais de 30 detentos, mas escolheu apenas 23 relatos para colocar no livro. As histórias selecionadas, segundo ele, falam sobre violência na infância, família desestruturada e entrada no mundo das drogas.

“Durante o processo aparecem sempre coisas que marcaram eles na infância e adolescência e, logo após, acabam enveredando pelo mundo do crime. Alguns contaram que viam pessoas com roupas e objetos que eles não tinham e acabavam se drogando para roubar, fazer pequenos furtos e possuir essas coisas. São vários fatos que fiquei realmente surpreso e precisava divulgar”, destaca.

No livro os detentos foram identificados apenas pelas iniciais e a idade. A decisão, segundo o autor, foi da editora e dele, pois durante a entrevista todos deram o nome completo e se dispuseram a divulgar os nomes para a publicação. Porém, como não tinham o documento de autorização da justiça, optaram por não identificar os presos.

“Eu tinha mestrado em letras e queria fazer um mestrado em educação. Como sou professor de sociologia, surgiram essas questões em sala de aula com alunos de ensino médio sobre a violência, os presídios e também drogas. Essas abordagens acabaram me proporcionando essa possibilidade da pesquisa e descobrir como de fato acontecia a educação e ouvir relatos ainda melhores”, afirma.

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