Petecão diz que segredo de popularidade é atender ao telefone

“O que para muitos políticos parece ser difícil, para mim é algo natural: atendo ao telefone dos que me procuram, recebo em casa e não resolvo todos os problemas, mas me esforço e tenho pedido a Deus todos os dias para preservar minha humildade e não deixar o mandato subir na cabeça. Isso tem feito a diferença, segundo meu entendimento”.

Esta é a fórmula do senador Sergio Petecão para garantir a maior votação da história do Acre para o Senado – 244.109 votos, superando, inclusive o governador eleito Gladson Cameli (PP) -223.993. Não é à toa que Petecão foi ovacionado ao chegar à Aleac nesta quinta-feira, 8, onde foi o presidente mais longevo, por oito anos consecutivos. Nesta entrevista, Petecão conta como vai influenciar no próximo governo, agora estando na situação.

– Qual é o seu segredo para esta vitória estrondosa?

– Na verdade, eu sempre tenho dito que onde passar – se tiver oportunidade -, vou agradecer a este povo muito querido e generoso pelo carinho. Eu creio que esta votação é fruto de um trabalho de quase 30 anos de mandato. Eu tenho dito que a política é simples. O que influenciou o resultado foi a forma de fazer política; de conversar com as pessoas, principalmente as mais humildes. O que para muitos políticos parece ser difícil, para mim é natural: atendo ao telefone dos que me procuram, recebo em casa e não resolvo todos os problemas, mas me esforço e tenho pedido a Deus todos os dias para preservar minha humildade e não deixar o mandato subir na cabeça. Isso tem feito a diferença, segundo meu entendimento.

– Desta vez sua vitória foi acompanhada pela eleição de uma maioria da oposição

-Não temos do que reclamar. Agora somos três senadores e cinco deputados federais para ajudar o governador em Brasília – além da maioria da Assembleia Legislativa -, de forma que estou muito feliz. O Estado passa por uma situação difícil e é preciso manter esta união para dar respostas positivas. A expectativa é muito grande e espero que tudo caminhe para o rumo certo.

-Como é sua participação neste momento de transição do Governo?

– Eu ainda não me sentei com o governador eleito, mas encontrei-me com ele em Brasília e ele me disse que montou uma equipe e no momento certo vai chamar toda a bancada para traçar estratégias.

– Qual deve ser o perfil da equipe de Governo? Técnicos ou políticos?

– Isso é uma questão de foro íntimo do governador eleito, mas acho que ele tem que encontrar um equilíbrio, um entendimento, pois temos técnicos tão competentes como políticos competentes. Só não acho justo que pessoas que estão ralando há mais de 20 anos venham a perder espaço para quem viveu todo esse tempo mamando. Eu vou defender as pessoas que estiveram na guerra conosco.

– Para a nova geração que ainda não te conhece, quem é Petecão?

– Meu nome é Sergio de Oliveira Cunha, mas quem me procurar por este nome não vai encontrar. Eu sou Sergio Petecão mesmo! Nasci na Rua Seis de Agosto, em Rio Branco, no dia 20 de abril de 1961. Perdi meu pai quando tinha 14 anos de idade e antes de entrar na política trabalhava como frentista do posto de gasolina da família, na cabeça da ponte no Segundo Distrito. Com a morte de meu pai, eu e minha mãe assumimos a criação de meus outros quatro irmãos. Moramos na Seis de Agosto, no Triângulo e na Cohab do Bosque. Eram tempos difíceis e a gente vivia se mudando. Hoje moro na Vila Ivonete. Sou casado e tenho dois filhos, que moram aqui com a mãe enquanto estou em Brasília. Graças a Deus deu tudo certo e não canso de agradecer ao carinho do povo acreano, principalmente em Rio Branco, onde tive 120 mil votos.

Dora Monteiro