“No meu governo não haverá atraso na folha de pagamento”, garante Gladson Cameli

Em entrevista ao jornalista Altino Machado, senador prometeu também acabar com pensões vitalícias de ex-governadores – Foto: Da Assessoria/Arquivo

Por Leandro Chaves – A pontualidade no pagamento do salário dos servidores públicos estaduais pelos governos da Frente Popular (FPA) sempre foi exaltada como uma das marcas dessas gestões. A depender do governador eleito Gladson Cameli (PP), essa política deve continuar. Em entrevista ao jornalista Altino Machado no último final de semana, o ainda senador garantiu que, durante seu governo, não haverá atraso na folha de pagamento do funcionalismo.

“O servidor público precisa ser valorizado”, justificou o futuro gestor, que prometeu também chamar aprovados em concursos públicos e dar a eles prioridade na composição do corpo de funcionários das secretarias e autarquias em detrimento de cargos ligados a partidos.

Para viabilizar essa e outras propostas no campo econômico, Cameli aposta em uma grande reforma administrativa “para que eu possa ter segurança e saber com o que vou poder contar no final do mês”. Uma das primeiras medidas é enxugar “ao máximo” a máquina estatal. Na entrevista, realizada na casa do jornalista e blogueiro, ele citou como exemplo as políticas de segurança pública, que estariam distribuídas em quatro ou cinco órgãos. “Vamos unificar”.

Para ajudá-lo a garantir a saúde fiscal do estado, Gladson se diz otimista com uma possível reforma da previdência por parte do futuro presidente, a ser eleito neste próximo domingo. Segundo o senador, o Acre injeta hoje R$ 40 milhões mensais para compensar o déficit previdenciário.

Outra medida emergencial será pôr fim às pensões vitalícias de ex-governadores acreanos. Atualmente, cinco ex-gestores, alguns com mandato legislativo em curso, e oito viúvas recebem a pensão, que consome cerca de R$ 5 milhões dos cofres públicos por ano. Uma das pensionistas é a tia de Gladson, Beth Cameli, viúva do ex-governador Orleir Cameli, falecido em 2013.

“Se eu quero moralizar o estado e economizar, tenho que dar o exemplo no meu próprio gabinete. Vou mandar para os deputados um projeto de lei para acabar com essas pensões”. A ideia, de acordo com o futuro governador, é também retirar o benefício de quem já o recebe, em contraposição a um projeto de lei já aprovado na Aleac, que visa acabar com a pensão sem retroagir.

Gladson assumirá o comando do Acre com a possibilidade de investir R$ 1,3 bilhão em projetos do Banco Mundial e Caixa Econômica já contratados, conforme anunciado pelo atual governador Tião Viana, com quem o senador já conversou. No dia seguinte à Eleição, Cameli telefonou para o petista para tratar da transição. Na semana passada, eles tiveram um encontro amigável na Casa Civil.

“Ele foi muito atencioso e colocou à disposição a equipe do governo para a transição. Foi uma conversa tranquila. A eleição acabou e eu desci do palanque. Não irei olhar pelo retrovisor”.

O parlamentar de 40 anos prometeu anunciar os secretários de estado no máximo até o dia 20 de dezembro e disse que os nomes que têm aparecido na imprensa são apenas especulações. Ainda na entrevista, Gladson deixou registrado que encerrará a carreira política após disputar mais dois mandatos eletivos.