Me inclua fora dessa!

Foto: Cedida

Ontem o ex-reitor da Ufac e coordenador do plano de governo de Gladson Cameli (PP), o economista Carlito Cavalcante, concedeu entrevista ao jornalista Roberto Vaz e deixou esboçado que está com tudo e não está prosa. Entre outras coisas, disse que não é candidato ao cargo de Secretário de Educação no governo de Cameli, descartando, por conseguinte, o posto.

Te mete!

Carlito avançou mais e disse que “também não aceita a indicação do professor Minoru Kimpara” para a pasta, vetando, por óbvio, eventual decisão do governador em relação à Kimpara no preenchimento do cargo. Como diria Isidora Dolores Ibárruri Gómez, conhecida como La Pasionária, parafraseando um subordinado do marechal Phillipe Pétain: “No pasarán!” (não passarão).

Cabo de guerra

As eleições ainda não acabaram para o PSL, sigla pela qual concorreram o presidente eleito Jair Bolsonaro e o coronel Ulysses Araújo, este na condição de postulante à sucessão de Tião Viana no governo estadual.

Divergências

Enquanto o advogado Valdir Perazzo deu uma declaração esta semana defendendo que o PSL migre para base de apoio do governador eleito Gladson Cameli (PP), o tesoureiro da sigla, o também advogado Jânio Teixeira, discorda.

Destoante

Para ele, o PP massacrou a candidatura de Ulisses, e por isso ele não veria ambiente para uma aliança com Cameli. Segundo o dirigente partidário, quem perde as eleições tem que fiscalizar quem ganhou e se projetar para uma próxima batalha.

Endosso

O presidente da executiva estadual do partido de Bolsonaro endossou as palavras do tesoureiro em uma segunda nota, na qual ele avisa que o PSL se manterá na oposição ao governador eleito.

Declarações

Ao blog do jornalista Evandro Cordeiro. Valdir Perazzo afirmou que no último dia 7 de novembro se completaram os 30 dias de pós-vitória do senador Gladson Cameli na disputa pelo governo estadual, candidato que foi por uma frente de partidos políticos cujo compromisso seria a recuperação da economia acreana por meio de um projeto liberal, o que inclui o agronegócio.

Todos muito liberais

Segundo Perazzo, o compromisso de Cameli com a economia liberal, através da livre iniciativa e da livre concorrência, seria suficiente para justificar a decisão de compor com o futuro governo.

Divergências

Foi o que bastou para que o tesoureiro do PSL no Acre respondesse a Perazzo por meio de nota, na qual ele diz que a posição exposta na entrevista é isolada. Segundo Jânio Teixeira, quem perde uma eleição tem que fiscalizar quem ganhou. Acrescenta ainda que o PSL foi muito maltratado pelo grupo de Gladson para que agora ofereça apoio ao seu governo.

Ponto fora da curva

“A minha posição política quanto a essas articulações do Dr. Perazzo é totalmente oposta, pois o PSL caminhou sozinho e foi muito questionado pelos dois outros candidatos, e não era nada aceitável a forma como a candidatura do Ulysses e do Bolsonaro foi bombardeada pelos dois outros candidatos”, afirmou o dirigente do PSL na mensagem.

Top secret

Jânio Teixeira vai além ao questionar Perazzo sobre o ‘dever’ do PSL de apoiar o futuro governador do Acre. Chega a ser ferino ao indagar se acaso teria havido algum acordo secreto – e, portanto, fora do seu conhecimento – para que a sigla, depois de tudo, fosse se juntar ao grupo vencedor.

No Acre o PSL é oposição!

Segundo Teixeira, a única obrigação do PSL é com o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro. Quanto a Gladson Cameli, o partido deve se manter na oposição, a fim de fiscalizar e cobrar o governador eleito quanto às suas promessas de campanha.

Pergunta que não quer calar

O mais engraçado de tudo isso é que Valdir Perazzo se oferece para apoiar o futuro governo quando não há evidência alguma de que o governador eleito teria interesse em compor com a sigla. Senão, é preciso repetir as palavras do tesoureiro da sigla: há algum acordo secreto entre os dois lados, doutor Perazzo?

Lembrete

Na segunda nota mencionada anteriormente, o presidente do PSL no Acre toca nesse detalhe importante: “(…) até o presente momento, o governador eleito não manifestou interesse em ter o PSL como aliado e colaborador na governança futura”, lembrou Pedro Valério.

Segredo

Em entrevista a uma colega de profissão, o senador Sérgio Petecão (PSD), reeleito para o cargo no dia 7 de outubro, disse que o segredo da sua popularidade está em ‘atender ao telefone’.

Palavras dele

“O que para muitos políticos parece ser difícil, para mim é algo natural: atendo ao telefone dos que me procuram, recebo em casa e não resolvo todos os problemas, mas me esforço e tenho pedido a Deus todos os dias para preservar minha humildade e não deixar o mandato subir à cabeça. Isso tem feito a diferença, segundo meu entendimento”.

Votação recorde

Com a maior votação da história do Acre para um mandato no Senado, Petecão sabe o que diz. Afinal, nas eleições de outubro, ele obteve mais de 244 mil votos – o que superou, inclusive, a votação do governador eleito Gladson Cameli (233.993).

Vida longa

Em visita feita à Assembleia Legislativa do Acre, ontem, 8, Petecão foi ovacionado ao chegar ao local, segundo a coleguinha. Ela lembra que no parlamento estadual, o senador do PSD foi o presidente mais longevo, tendo cumprido oito anos consecutivos no cargo.