Inocentados pelo STF

Foto: Gleilson Miranda

A segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou, em definitivo, as denúncias contra o governador do Acre, Tião Viana, e o senador Jorge Viana, ambos do PT. Com a decisão, decretada ontem, 23, pelo ministro Ricardo Lewandowski, os irmãos foram inocentados das acusações de omissão de doações eleitorais na prestação de contas de suas campanhas de 2010 e 2014 – esta última envolvendo apenas o governador.

Falta de provas

O também ministro Gilmar Mendes, relator do processo, já havia determinado o arquivamento do inquérito por ausência de indícios de autoria e também por falta de materialidade em ambas as denúncias.

Indeferimento

Lewandowski negou o provimento ao agravo regimental feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Ou seja, deu o caso por encerrado.

Desabafo

“Passados mais de cinco anos sendo vítima de injúria, calúnia e difamação, consequência dessa epidemia de ódio, julgamento fácil e condenação infame, vendo o assassinato de virtudes civilizatórias como confiança, respeito, boa-fé, verdade e outros valores, compartilho a alegria da inocência vitoriosa sobre a mentira”, comemorou, em junho, por meio de nota, o governador Tião Viana, após ter sua inocência provada com o arquivamento do processo.

A justiça tardou

Jorge Viana lamentou que o arquivamento da denúncia tenha vindo apenas depois da eleição, da qual saiu derrotado em sua tentativa de reeleição.

Vale para a História

“Pena que isso veio depois da eleição; pena que veio depois de mais de um ano da morte do meu pai. Mas isso vale para os meus netos, para as minhas filhas, todos da minha família, especialmente os amigos e o povo acreano. Nunca precisei de mandato para me proteger”, disse o senador, que se despede do senado janeiro deste ano.

Lamento

A propósito, o senador Jorge Viana (PT) registrou ontem, em discurso da tribuna, que o que mais lamenta nas eleições é o mau uso das redes sociais. “Como dizia o chefe da propaganda de Hitler: uma mentira repetida muitas vezes vira verdade”, alertou ele.

Jogo sujo

O parlamentar petista se referia ao que chamou de ‘manipulação de informações’ por parte de adversários políticos na campanha, que usaram ‘versões falseadas para atingir’ a sua honra, ‘especialmente junto a uma nova geração de acreanos que não conhece a minha história política de verdade”.

Só sabe quem viveu

“Atualmente, mais de um terço da população não viveu esses tempos de mudanças que ajudei a construir”, disse Jorge Viana.

Nomes e cargos

Embora o governador eleito Gladson Cameli (PP) tenha estabelecido o prazo final de 20 de dezembro para o anúncio completo de sua equipe de governo, nos bastidores a bolsa de apostas corre solta. É dado como certo que para o posto de Secretário de Obras, o titular já tem nome: será Thiago Caetano, atual superintendente do Dnit no Acre e uma indicação do próprio governador.

Mais apostas

Já o engenheiro Roberto Feres, candidato à Câmara Federal no último pleito pelo extinto PMDB (atual MDB), lastreado por uma indicação do seu partido, seria o nome para gerir o Deracre. Como agradecimento a George Pinheiro – responsável pela mobilização dos empresários do Estado em prol da candidatura de Gladson –, Lauro Santos iria para a Superintendência estadual do Sebrae. Lauro vem a ser dileto genro de George.

Batendo o pé

O deputado Gehlen Diniz (PP) afirmou em entrevista ontem, 23, que não vai abrir mão de sua candidatura à presidência da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Ele disse que são vários os colegas na disputa, mas que está articulando com os parlamentares da Casa e não abre mão da disputa, até porque já obteve várias promessas de voto e não teria como se explicar ao eleitorado uma possível desistência.

Caminho pavimentado

“Eu tenho algumas pessoas que me apoiam, que acreditam em mim. Então, não poderia abrir mão, a não ser que estes apoiadores me peçam. Eu tenho que respeitar as pessoas até porque já dei a minha palavra”, argumentou ele.

Recursos

Gehlen também falou sobre a situação financeira do Estado. De acordo com ele, os recursos de R$ 1,3 bilhão que o governador Tião Viana diz estar deixando para o futuro governador, é dinheiro do governo federal, que provavelmente só será liberado mediante contrapartida. “E como está o caixa do governo para fazer contrapartida?”, questiona Gehlen.

Avaliação

Para o parlamentar, só quando assumir o comando em 1º de janeiro o governador Gladson Cameli terá condições de avaliar qual é a real situação financeira do Estado. “Ao assumir, o nosso governador vai fazer uma exposição sobre os recursos de que dispõe e então teremos um ponto de partida para articular as ações que farão o Acre voltar a crescer”, afirmou.

Em guerra

Cruzeiro do Sul vive dias belicosos. A coluna soube que as demissões realizadas pelo prefeito Ilderlei Cordeiro (PP) atingiram cinco médicos que atuavam no município – entre os quais uma nora do antecessor, Vagner Sales (MDB).

Protesto

A sessão de ontem, 23, na Câmara de Vereadores do município, foi tumultuada, segundo nossa fonte. Pessoas atingidas direta ou indiretamente pelas exonerações postas em curso por Ilderlei foram ao parlamento municipal para protestar.

Na berlinda

Segundo informação, o prefeito do PP está acuado pela oposição, que se articula na Câmara, e por parte da população, que não aceita engrossar a fila do desemprego.