Índios querem audiência com Bolsonaro para cobrar que Funai fique no Ministério da Justiça

Líderes de povos indígenas foram nesta quinta-feira (6) à sede do governo de transição, em Brasília, pedir uma audiência com a equipe de transição do governo de Jair Bolsonaro. O grupo de índios quer cobrar que a Fundação Nacional do Índio (Funai) permaneça vinculada ao Ministério da Justiça no futuro governo.

Grupo de índios se concentra na sede do governo de transição para pedir audiência com governo Bolsonaro – Foto: Guilherme Mazui, G1

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) informou que cerca de 80 pessoas que representam 40 etnias foram nesta quinta ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) pressionar o agendamento de uma audiência com o governo de transição. O grupo realizou danças indígenas em frente a uma das portarias que dá acesso ao gabinete do futuro governo.

Até a última atualização desta reportagem, os indígenas ainda não haviam conseguido garantir uma conversa com o governo de transição. O grupo está em Brasília para participar nesta tarde de encontro do Fórum dos Conselhos de Saúde Indígena.

Nesta semana, o futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, chegou a dizer que Bolsonaro cogitava transferir a fundação responsável pela assistência dos povos indígenas para o Ministério da Agricultura, que cuida dos interesses do agronegócio.

De acordo com Kretã Kaingang, integrante da Apib, o grupo de líderes indígenas pretende entregar um documento para Bolsonaro ou para algum integrante da equipe de transição para, entre outros pontos, formalizar a permanência da Funai sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça.

Segundo os representantes dos índios, a pasta que será comandada a partir do ano que vem pelo ex-juiz Sérgio Moro é a única com preparo para lidar com os conflitos fundiários que marcam a relação dos indígenas com ruralistas. A Funai é responsável por promover e proteger os direitos de mais de 300 povos indígenas.

“Que pare essa especulação sobre a questão da Funai […] A gente quer que pare. Nenhum ministério é preparado para lutar com conflitos fundiários, nenhum desses ministérios está preparado e nenhum ministro está preparado”, declarou Kretã.