‘Governo não trabalha para interesses particulares’, diz assessoria de Gladson após prefeito de Sena deixar a base

Por Leandro Chaves – “O governo trabalha para o povo, e não para interesses particulares”, respondeu a assessoria de imprensa de Gladson Cameli (Progressistas), ao ser questionada pelo Página 20 sobre o desembarque prematuro do prefeito de Sena Madureira, Mazinho Serafim (MDB), da base de apoio do governador recém-empossado.

Governador perdeu dois aliados: Mazinho Serafim e a esposa Meire, a deputada estadual mais votada

Em um vídeo publicado nesta quinta-feira, 10, o emedebista anunciou, em reunião com apoiadores, que agora é oposição a Cameli. O recado veio em retaliação à não nomeação, por parte do governo, de cargos indicados por Serafim para a Rádio Difusora Acreana e Secretaria de Educação e Esporte (SEE).

“O que é que eu tenho que fazer mais na casa desse homem? Nada! Daqui pra frente eu sou oposição. E vou mostrar pra ele que daqui de Sena Madureira, em outra eleição, vai sair um candidato pra bater chapa com ele”, disse o prefeito. Ele chamou ainda o governador de “incompetente e fraco” e afirmou que vai cobrar investimentos na cidade.

Segundo Mazinho, Sena Madureira “sempre” foi esquecida. “O cabra ganha, vai embora e nunca se lembra [da cidade]”. Em resposta, a assessoria de comunicação do governo informou que o município já teve mais de R$ 20 milhões de recursos destinados por Gladson quando o mesmo era senador.

A verba teria sido destinada para a usina de asfalto e pavimentação de ruas, para a sede do Ministério Público do Estado (MPE), para a construção de casas populares, Mercado do Peixe e aquisição de caminhonetes e máquinas agrícolas. “A população conhece sua dedicação e respeito pela cidade e seus moradores”.

Com sua saída da base, Mazinho leva também para a oposição a esposa e deputada estadual eleita Meire Serafim (MDB), a mais votada entre os 24 parlamentares que assumirão o mandato no dia 1º de fevereiro.

Distante 144 km de Rio Branco, Sena Madureira também é base eleitoral do deputado reeleito Gehlen Diniz (Progressista). A indicação de um cargo feita por ele teria sido priorizada pelo governador e, assim, dado início à queda de braços com o prefeito.

Na última eleição, o terceiro maior município do Acre deu a Gladson a maior votação proporcional em relação às demais cidades.