‘Garanto aos servidores que eles receberão o restante do 13º salário’, diz Gladson

Governador concedeu entrevista ao programa Café com Notícias, da TV5, na manhã de quarta-feira, 9 – Foto: Reprodução Ecoacre.net/Arquivo

Por Leandro Chaves – Em entrevista concedida ao programa Café com Notícias, da TV 5, na manhã da última quarta-feira, 9, o governador Gladson Cameli (Progressistas) garantiu que quitará o 13º salário dos servidores que receberam apenas metade do valor por parte do último governo. Ele aguarda apenas a liberação do orçamento, que acontece nos próximos dias, para dar início ao planejamento e à elaboração de um cronograma de pagamento.

As secretarias de Fazenda e de Administração já foram orientadas e encontrarem uma solução para o problema. “Garanto aos servidores que eles vão receber o restante do 13º. Quero quitar o quanto antes, porque parto do princípio de que a partir do momento em que você paga um servidor, esse dinheiro não fica com ele. Vai pra fonte. Vai circular e movimentar nossa economia, gerando mais tributos para o estado”, afirmou.

O ex-governador Tião Viana (PT) deixou o mandato sem depositar a segunda metade do 13º para 31 mil funcionários. Apenas 17 mil servidores da Educação e de empresas estatais tiveram o vencimento pago integralmente. De acordo com o gestor recém-empossado, a soma dos valores do 13º, INSS patronal, juros do INSS e números da folha chega a R$ 66 milhões. Também há a intenção de quitar a dívida de R$ 6 milhões com o Pró-Saúde.

Os fornecedores terceirizados que não receberam também terão seus valores depositados. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) fará um levantamento jurídico e todas as empresas prestadoras de serviço que estiverem embasadas entrarão no cronograma.

Embora dê como certo o pagamento, Cameli adianta que o mesmo não será feito de uma só vez. “Não vou vender uma ilusão. Quero ter a cautela de pegar o planejamento antes. Não adianta eu falar que vou quitar em duas vezes e no final não conseguir. Por mim, pagaria tudo agora para ficar livre, porque penso ser justo o trabalhador receber o 13º”.

Uma das saídas encontradas pelo governador eleito para reunir o valor devido foi a reforma administrativa, aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) em dezembro. Segundo Gladson, houve redução de 60% da máquina pública. É a economia gerada por essa reforma que vai proporcionar, também, a contratação de concursados.

“A reforma é a prova de que quero chamar os concursados. Reduzimos a estrutura da máquina para valorizar quem fez concurso. Não podemos desvalorizar quem trabalha e valorizar quem não trabalha”. Cameli garantiu que a questão dos concursados vai estar no planejamento dos primeiros 100 dias de governo a ser apresentado nos próximos dias.

Governador fez balanço dos primeiros 10 dias de sua gestão no Estado – Foto: Secom

“Já cobrei dos secretários de estado o plano do que vamos fazer em 100 dias para mostrarmos à sociedade acreana. Agora estou acompanhando as secretarias, visitando espaços e já vendo alguns resultados”, disse ao entrevistador Washington Aquino.

Balanço dos primeiros dias

Os primeiros dias de governo tem sido de muito trabalho para o novo governador do Acre. Além de cuidar da transição, processo natural em um novo projeto de gestão, o time de Gladson Cameli precisa tocar a continuidade das atividades essenciais do estado.

Uma delas é a segurança pública, um dos assuntos que mais deu dor de cabeça ao último governo e que mais preocupa os acreanos. Nas primeiras horas após a posse, a equipe de Segurança Pública, liderada pelo secretário Paulo Cézar Rocha dos Santos, anunciou uma série de ações emergenciais de combate ao crime em Rio Branco e no interior por uma lógica não só de repressão e encarceramento, mas também de prevenção da criminalidade.

Após as medidas, Rio Branco não registrou casos de homicídio no último final de semana. Nos primeiros 10 dias do ano foram sete mortes violentas em todo o estado contra 21 no mesmo período do ano passado, uma redução de mais de 50% nos índices.

“A política brasileira vive um novo momento, que é o de respeito aos anseios da sociedade. Eu entendi esse recado das urnas. Precisamos dar as mãos e unir forças. O problema é grande e eu quero dar uma resposta à altura na redução dos homicídios, no atendimento da saúde, na educação de qualidade e fazer um grande trabalho na infraestrutura. Não vou conseguir sem o apoio do servidor público que está na base”, afirmou o governador.

Cameli também comentou sobre o desenvolvimento econômico do estado. Segundo o gestor, o agronegócio será a salvação econômica do Acre. “Não vamos precisar desmatar. É só aproveitar o que está aberto, respeitando o Código Florestal. Isso gera emprego, aquece a economia e não dá prejuízos à natureza. Temos que abrir o estado ao desenvolvimento”.

Outras ações citadas por Gladson para alavancar a economia do Acre é melhorar as condições dos ramais e rodovias estaduais, tirar do estado a pecha de “cabide de emprego”, privatizar as empresas que possuem participação do estado, como a Dom Porquito, Acreaves, Natex, entre outras, e ser “100%” intolerante com a corrupção.

“Governar é isso. Todo dia vamos vencendo obstáculos. Peço paciência e tranquilidade. Vamos achar soluções para os problemas. Sou otimista. Nosso governo já deu certo”.