Focos de calor no Acre aumentam quase 30% em um ano, aponta Greenpeace

Dados mostram que esse ano foram registrados 6.190 focos de calor, enquanto no mesmo período do ano passado foram 4.833 – Foto: Pedro Devani

Um levantamento feito pela ONG Greenpeace mostra que o Acre teve um aumento de 28% nos focos de calor. O período avaliado é de janeiro a setembro do ano passado e deste ano. Os dados mostram que esse ano foram registrados 6.190 focos de calor, enquanto no mesmo período do ano passado foram 4.833.

A ONG destaca ainda que, além de oferecer risco para as populações locais e aos animais, o fogo contribui para o aumento das emissões de gases do efeito estufa do Brasil.

Na primeira semana de outubro, final da temporada de fogo na Amazônia, o Greenpeace registrou a destruição deixada pelas queimadas na região entre os estados do Amazonas, Acre e Rondônia, onde encontrou focos ainda ativos e diversas áreas que já viraram cinzas.

Durante um sobrevoo, o Greenpeace identificou focos ativos ainda na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e diversas outras áreas no entorno de Rio Branco.

No acumulado, a Amazônia já perdeu cerca de 19,4% de sua cobertura florestal original. O relatório avaliou os nove estados que compõem a Amazônia Legal e detectou que as queimadas se concentraram mais no oeste da Amazônia. No ranking dos estados, o Acre aparece no 7ª lugar em relação aos números de queimadas.

Monitoramento e força-tarefa

A diretora técnica do Instituto de Mudanças Climáticas no Acre (IMC), Vera Reis, explica que todas as terças sãos feitos relatórios que são distribuídos para os órgãos ambientais do estado. Com isso, são definidas ações de combate nos pontos de queimadas.

“Esse trabalho é chamado de força-tarefa. A gente baixa os dados, acompanha, monitora e, a partir desses dados, a gente faz produtos da sala, os boletins e relatórios diários e toda terça-feira reportamos isso para os gestores da força-tarefa, que decidem onde vão atuar”, explica.

Fazem parte desse trabalho, o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e também Batalhão Ambiental.

Vera destaca ainda que a queima na Amazônia é cultural e que essa é a maior barreira dos órgãos ambientais: trabalhar a conscientização das pessoas.

“As pessoas põem fogo, às vezes, só porque não querem ver um amontoado de folha no quintal, aí eles queimam o lixo e queimam tudo. Dados do Ibama apontam que esse ano a gente não teve fogo dentro da floresta, mas na borda, porém, o que ficou fora do controle foram as pessoas que decidiram colocar fogo no quintal e passou para a propriedade vizinha”, destaca.

Fumaça

A diretora ressalta ainda que as altas temperaturas aliadas a baixa umidade relativa do ar contribuem para que o fogo se alastre com mais rapidez.

“A gente pede que as pessoas não queimem, porque, mesmo que você tente fazer um fogo em casa, ele pode sair do controle. Na primeira semana de setembro, culminando com o dia 7 de setembro, a partir do dia 5, nós tivemos muitas queimadas e muita fumaça. Dia 4, o pico de material particulado foi mais de 220 microgramas/m3, quando, na verdade, 25 microgramas/m3 é o limite”, relembrou.

No caso das reservas extrativistas, Vera disse que as invasões têm causado grandes impactos ambientais nessas unidades.

“A Resex é a unidade de conservação que mais desmatou e mais queimou no Acre, infelizmente, e as queimadas nela e nas reservas do Alto Juruá e Tarauacá são as que têm queimado mais, mas temos tido muita invasão, as pessoas têm colocado gado e, para formar pasto, eles queimam”, finaliza.

Portal G1/AC