Fluxo contínuo

Foto: Reuters

Lorena de Cáritas Dantas Tuma

A natureza do universo,
A natureza do progresso,
Colidem em movimento:
A aceleração das partículas,
Das partes,
A confusão dos partidos,
As vanguardas,
A precipitação das artes.

Como as coisas que passam
E os pássaros que pousam,
Corro pelas ruas,
Detenho-me em algumas esquinas,
Num breve instante de pausa
Que o cruzamento oferece.

Mas é tanto movimento
Para todos os lados…
Quase sai andando a esquina,
Caem os prédios abandonados…

O fluxo de capital contínuo,
Sem barreiras, rompe a barragem,
Qual é o sentido do fluxo,
E o significado da imagem?

Da esquina em ruína,
Busca-se uma razão para a rima:
Ah, homem!
Tudo passa, mas há de se aprender
A passar e deixar permanecer!

Arquiteta e urbanista