Esperança de quem vive

Lorena de Cáritas Dantas Tuma

A vida
É paradoxal e altruísta;
O indivíduo perece
Apesar da vida,
da espécie.

E o fim, na morte
“Angústia de quem vive”
Também é esperança,
Para quem ainda persiste:

Deixa rastros, herança,
Como o vento que poliniza,
Como aideia que polemiza,
As palavras que ecoam,
Os pássaros que regressam
Quando para longe voam.

Dizem que esvai,
Que se cala, emudece,
E que se vai definitivamente.

Seria certo se ninguém
Mais houvesse,
E fosse o fim do mundo,
E da própria espécie.

Contrariamente
Se desfaz e se refaz,
Tão logo, repetidamente
Toma fôlego, n’outro ser vivente!

Arquiteta e urbanista