Dia Internacional da Mulher: a força está com elas!

Na capital acreana, onde a proporção feminina é maior em relação ao sexo oposto, a participação social da mulher é bem intensa – Fotos: Dell Pinheiro

Por Dell Pinheiro – dell. 81 @hotmail.com – São Marias, Franciscas, Antônias, Raimundas, Sebastianas, Anas, enfim, muitas! Mulheres que abraçam o mundo com garra, dedicação, amor e trabalho. Não é clichê afirmar que o empoderamento feminino nunca esteve tão em evidência. Ainda vivemos em uma sociedade machista, porém, dizer que a mulher é o sexo frágil é uma mentira absurda, como diz Erasmos Carlos em uma de suas canções. Sabemos também que a força está com elas, como complementa o poeta.

Na capital acreana, onde a proporção feminina é maior em relação ao sexo oposto, a participação social da mulher é bem intensa. Elas exercem diferentes funções e ocupam vagas que antes somente eram ocupadas por homens. No Calçadão da Benjamin Constant, no centro da cidade, muitas trabalham na informalidade, ou seja, como ambulantes, oferecendo diversas mercadorias e serviços. Nesse local, podemos observar o peso que cada uma carrega nos ‘ombros’.

“Trabalho há muito tempo nesse lugar. Nunca precisei roubar ou fazer outro tipo de coisa errada para conseguir criar meus filhos. Tive ajuda do meu ex-marido no começo, até certo tempo, mas logo ele abandonou a família e tive que lutar sozinha nesse ‘mundo cão’. Não levo mágoa no coração e nem tão pouco tristeza. Sigo em frente e peço saúde todos os dias para Deus. Já criei meus filhos e ajudo a criar meus netos. Sou uma mulher guerreira, que não foge da luta”, disse a vendedora ambulante Francisca Gonçalves.

“Sou uma mulher guerreira, que não foge da luta”, diz a vendedora ambulante Francisca Gonçalves

Assim como a dela, muitas histórias se confundem no Calçadão. Das mulheres que trabalham naquele espaço, área central do comércio popular de Rio Branco, poucas gostam de relatar sobre suas vidas e dos obstáculos enfrentados, a maioria de dor e sofrimento. “Não tenho muita coisa boa para falar, mas fico feliz em levar o sustento para minha casa. Nada foi fácil para mim. Tudo que consegui foi com muito suor esforço”, disse Conceição, que não quis dizer o sobrenome e que também trabalha no mercado informal.

Nas imediações da Benjamin Constant, fica localizado o Mercado Municipal Elias Mansour e o Aziz Abucater. Ali, muitas mulheres também garante o pão de cada dia. Dentre as profissões, feirantes, cabeleireiras, donas de lanchonetes e restaurantes se destacam no meio da multidão, principalmente quando é para colocar a ‘mão na massa’. No vai e vem de pessoas a igualdade de gêneros se faz valer. “Muitas mulheres aqui fazem o mesmo trabalho que os homens fazem. Temos açougueiras, moto-taxistas e até estivadoras. Aqui não tem essa de sexo frágil não”, falou dona Maria de Lurdes, proprietária de um restaurante.

“Muitas mulheres aqui fazem o mesmo trabalho que os homens fazem. Aqui não tem essa de sexo frágil, não”, declarou a dona Maria de Lurdes, proprietária de um restaurante

Sobre o Dia Internacional da Mulher

Nesta sexta-feira, 8, celebra-se o Dia Internacional da Mulher na maioria dos países. A ideia de comemorar a data surgiu no final do século XIX, mas foram diferentes fatos no século XX que derivaram para a celebração que conhecemos hoje. Um deles, talvez o mais simbólico, mas não o único, ocorreu em 25 de março de 1911, quando 149 pessoas, a maioria mulheres, morreram no incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova York. O incidente revelou as penosas condições nas quais trabalhavam as mulheres, muitas delas imigrantes e muito pobres.

Porém, não foi um fato isolado – três anos antes, houve outro incêndio em circunstâncias similares, mas foi a tragédia de 1911 que suscitou grandes mobilizações e marcou no calendário uma data que já havia começado a ser celebrada dois anos antes, também em Nova York, onde as Mulheres Socialistas, seguindo uma orientação partidária, havia comemorado pela primeira vez o Dia Nacional da Mulher. Foi em 28 de fevereiro de 1909, que mais de 15 mil mulheres saíram às ruas para reivindicar melhores salários, redução da jornada de trabalho e direito ao voto.

Conquistas das Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história do Brasil. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no Executivo e Legislativo.

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