Danos ambientais são responsáveis por 25% das mortes no mundo, diz ONU

Segundo o relatório da ONU, a poluição atmosférica contribuiu para a morte de mais de 6 milhões de pessoas – Foto: Pixabay

Os danos ambientais são responsáveis por 25% das mortes e doenças no mundo. O alerta vem da Organização das Nações Unidas (ONU) que lançou, na quarta-feira (13), o relatório Global Environment Outlook – Healthy Planet, Healthy People (GEO 6), na 4ª Assembleia Geral do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que começou na segunda-feira (11) e vai até o dia 15 de março, em Nairóbi, no Quênia.

O documento de mais setecentas páginas elenca os problemas ambientais enfrentados no mundo. O estudo, que levou cinco anos de pesquisa com a contribuição de 250 cientistas e especialistas de mais de 70 países, afirma que a poluição atmosférica, os produtos químicos que contaminam a água potável e a destruição acelerada de ecossistemas cruciais para a subsistência de bilhões de pessoas estão impulsionando uma epidemia mundial que dificulta a economia global e fomenta doenças e mortes prematuras.

Em maio deste ano, a Organização Mundial da Saúde divulgou dados que mostram que noventa por cento da população mundial respira ar poluído e que sete milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência da poluição em ambientes exteriores e interiores. A GEO 6 segue na mesma direção e reforça os alertas referentes às mortes em decorrência da poluição atmosférica.

Segundo o relatório, a água potável, por exemplo, sofrerá com a contaminação de bactérias que entram em contato com a água através do esgoto doméstico e de resíduos industriais e agrícolas. Essas bactérias se tornarão cada vez mais resistentes, tornando-se uma das principais causas de morte até 2050, além de afetar o neurodesenvolvimento infantil e a fertilidade masculina e feminina.

O Geo 6 afirma também que 1,4 milhão de pessoas morrem anualmente por falta de acesso à água potável e outras adquirem doenças evitáveis como diarreia e parasitas decorrentes de contaminação.

O que pode ser feito

Entre as soluções apontadas pela GEO 6, está na necessidade de os países diminuírem a redução das emissões de CO2 e do uso de pesticidas. “Um clima estável e ar limpo estão interligados; as ações de mitigação dos danos do clima para alcançar as metas do Acordo de Paris custariam cerca de US$ 22 trilhões de dólares, mas os benefícios da redução da poluição do ar poderiam chegar a US$ 54 trilhões”, ressalta a publicação.

Ainda segundo o texto, o desperdício de alimentos, por exemplo, em países desenvolvidos e em desenvolvimento, que responde por 9% das emissões globais de gases de efeito estufa, pode ser reduzido. O mundo atualmente joga fora um terço de todos os alimentos produzidos. Os países mais ricos do mundo são responsáveis por 56% desses desperdícios.

Os realizadores e apoiadores da publicação lançada pela ONU não poupam críticas quanto à inércia das autoridades em relação ao que está acontecendo. Para Joyeeta Gupta, presidente do processo da GEO-6, o relatório mostra que já existem políticas e tecnologias capazes de evitar esses riscos e desenvolver um ambiente saudável para as pessoas. “O que falta atualmente é a vontade política de implementar políticas e tecnologias a uma velocidade e escala suficientes. A quarta Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em Nairóbi, em março, precisa ser a ocasião em que os formuladores de políticas enfrentam os desafios e aproveitam as oportunidades de um futuro muito mais brilhante para a humanidade”, afirma a presidente.

Fonte: O Eco

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