Com apoio do governo, produtores de farinha e goma ganham novos mercados

Fotos: Cedidas

Estado com maior rendimento agrícola por hectare na produção de mandioca, o Acre, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), está entrando em uma nova fase de organização e modernização dessa cadeia produtiva. Resultados disso, já podem ser vistas em supermercados da capital acreana goma e farinha vindas direto de Xapuri.

Localizada na região do Alto Acre, Xapuri passou a ser um novo polo da indústria de derivados da mandioca após uma série de investimentos do Estado. Começou com a implementação de um local para beneficiamento em parceria com o produtor Raimundo Nonato, o Gu da Farinha, tendo assim uma Parceria Público-Privada Comunitária Integrada (PPCI).

Esse modelo é uma forma de integração entre a comunidade produtora da matéria-prima com a agroindústria e o mercado. O governo, além dos equipamentos para a indústria, beneficia também os agricultores com a mecanização para plantio e colheita, além da organização da cadeia. A próxima etapa será a inclusão da goma de tapioca na merenda escolar e a isenção de impostos estaduais para os derivados.

Essa semana foi a primeira vez que o negócio de Xapuri teve seus produtos vendidos no mercado de Rio Branco. “O interessante de chegar no mercado de Rio Branco é o volume de vendas. A capital consome muito mais que nos municípios. Aqui para nossa indústria já plantamos 89 hectares de mandioca e a outra agroindústria plantou mais 35 hectares”, explica Gu.

A mandioca e seus derivados são elementos da cultura acreana, tradicionalmente bastante explorados na região do Juruá

Com esse modelo de integração, mais de 25 agricultores de Xapuri estão plantando mandioca. As duas indústrias ficam responsáveis pela plantio e colheita da raiz, com apoio do governo do Estado por meio do Fundo Agropecuário Estadual (Funagro). Gu diz que esse é um momento bom e a expectativa é aumentar ainda mais a produção e vendas, sua pequena instalação tem capacidade de ter quatro toneladas por semana.

“Nós temos um grande consumo de farinha no Acre, cerca de 100g por pessoa diariamente. Ainda temos a goma de tapioca ganhando espaço no Brasil. O governo do Estado está incentivando a industrialização dessas casas de farinha. Já temos três experimentos exitosos, sendo dois em Xapuri e outro no Bujari”, explica Fernando Melo, secretário adjunto de Agropecuária (Seap).

Fortalecendo a produção

A Seap, em parceria com a Secretaria de Extensão Florestal e Agricultura Familiar (Seaprof), está executando o projeto de desenvolvimento dessa cadeia. Melo explica que o governo quer implementar mais 32 indústrias do mesmo modelo. Municípios de todas as regiões do estado serão beneficiados.

Com o crescimento da produção em vista, esse trabalho vai levar a resultados também na renda das famílias. “A expectativa é de que tenhamos um aumento para cinco mil hectares de plantio de mandioca em dois anos. Com isso, esperamos ter um implemento na economia do estado, direto nas mãos dos produtores, em torno de R$ 500 mil só no setor primeiro”, afirma Melo.

Agora empresário, Gu relata a importância que foi esse incentivo que recebeu do Estado. “Quando eu comecei com farinha, tinha um pouco de dificuldade porque estava sozinho. Depois que o governo entrou na parceria melhorou, porque temos o maquinário aqui para os mandioqueiros. Temos que agradecer muito ao governo, porque sem ele não estaríamos onde estamos de jeito algum”, declara.

Do Alto Acre ao Juruá

A mandioca é um elemento da cultura acreana, tradicionalmente bastante explorada na região do Juruá, que no último ano adquiriu o Selo de Indicação Geográfica da Farinha de Mandioca de Cruzeiro do Sul, em um trabalho do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Superintendência Federal da Agricultura (SFA/Mapa) e o governo do Estado.

Hoje, essa cadeia produtiva está entrando em um novo patamar, fortalecida nacionalmente, ganhando espaço em todo o estado e fazendo cada vez mais parte da alimentação do acreano. As fotos que ilustram esta matéria são exemplo desse momento. Todas as imagens são dos próprios agricultores, que a cada vitória as divulgam entre si em um grupo do aplicativo WhatsApp que reúne produtores de várias cidades.

Agência Notícias do Acre