Chama Divina

Zuleide Araújo lança seu CD aos 70 anos de idade – Fotos: Juracy Xangai

Quando a música expressa as alegrias da alma torna-se uma inspiração que reforça a fé na vida

Aposentada pela Eletroacre, Zuleide Araújo de Azevedo aos 70 anos, mãe de duas filhas e um filho do coração é uma feliz dona de casa que passa a cantarolar suas próprias canções de conteúdo sempre positivo valorizando a vida e as particularidades acreanas.

É dela a Ave Maria do Acre, uma composição de fé que o maestro Sandoval cobriu de redondinhas dando-lhe a devida partitura como requerem as boas canções. Sandoval fundou e dirigiu o coral Carlos Gomes no qual Zuleide também participava.

“Desde criança eu sempre gostei de música, ainda menina ia à igreja e me sentava nos ensaios das filhas de Maria e ficava cantarolando, elas me expulsavam, um dia o Bispo dom Giocondo que também era músico e ensaiava o coral um dia disse – Deixem ela aí para aprender! – era tudo o que eu mais queria, então pude soltar a voz”, recorda Zuleide.

Isso se deu lá pelos sete anos de idade logo após a primeira comunhão, em seguida a família se retiraria para o seringal onde ela pode viver um contato mais livre com a natureza e dela receber muita inspiração, quando já tinha dez anos voltaram para a cidade.

Novas inspirações

De volta à cidade, Zuleide retornou à convivência no coral da igreja que era regularmente ensaiado pelo maestro Sandoval e o bispo dom Giocondo que a ensinaram a beleza e a harmonia dos cantos religiosos.

Logo seria convidada a participar do coral Carlos Gomes, ela foi, tudo seguiu a normalidade até que um dia: “Assim um tanto inocente cheguei para o maestro e entreguei um papel dizendo eu compus esta música e trouxe para o senhor ver, ele riu e me disse – Mas você, canta ela para mim! – eu cantei e ele escreveu a partitura. Nós rimos muito, mas ele gostou, assim nasceu a Ave Maria do Acre. É a minha homenagem ao Acre!”

CDs estão sendo vendidos na casa de Zuleide, que está localizada exatamente em frente à igreja de São Peregrino, na estrada da Floresta

O coral ensaiava na casa da professora e pianista Elais Meira. Convivendo nesse maio, daí por diante Zuleide comprou um caderno para anotar exclusivamente as suas canções que iam brotando assim espontaneamente enquanto ia cuidando da casa, do quintal e até pelos relacionamentos conversas com as pessoas. Assim se encheram vários cadernos.

Alternando seu tempo entre os cantos do Coral Carlos Gomes e a dedicação ao Coral da igreja com peças especiais executadas no lugar do coro próximo ao teto da Catedral de Nazareth ela foi cantando e aprendendo cada vez mais.

Oportunidades

Já adulta, Zuleide foi trabalhar na Eletroacre onde durante 19 anos foi integrante ativa do coral Canto de Luz onde cultivavam a música popular brasileira e também músicas clássicas nacionais que fizeram fama deste grupo musical acreano integrado por 17 pessoas.

“Cantar para mim foi sempre uma expressão de liberdade, é quando nossa alma passeia leve pelo mundo!”, destaca Zuleide.

Esse amor passou para a filha Cecília, a qual é hoje doutora em música e foi destaque da orquestra tocando viola clássica durante última visita do Papa Francisco ao santuário de Aparecida do Norte.

Inspiração

“Anotei a maio parte das músicas, mas perdi alguns cadernos. Eu não sei explicar a inspiração porque quando dou por mim já estou cantando uma nova canção que geralmente já vem completa com letra a e melo dia, assim sem pensar as palavras e sons se ajeitam na composição”, explica Zuleide.

Muitas vezes isso acontece quando houve certas histórias, quando bate um sentimento, vê uma cena especial, o canto de um pássaro. “Fazer música é tão interessante que eu mesma já sonhei com novas composições musicais”.

Há casos em que música amadurece e brota espontaneamente: “A música Chama Divina que ainda não tive a oportunidade de gravar, veio 16 anos após uma conversa muito emocionante com alguém que tinha perdido a esperança”.

O primeiro CD de Zuleide

Durante 20 anos Zuleide dedicou-se a atender as crianças na igreja São Peregrino onde costumava embalar as brincadeiras com suas músicas que até agora estavam anônimas.

Músicas que com apoio do marido Pedro ela dá a público no CD Chama Divina lançado pela Alfamax reproduções.

O CD é resultado de um trabalho a várias mãos trazendo como destaque as canções Beija Flor, Brilhante Estrela, Sonhando Acordada, Sanhaço Azul, Luz de Deus, Proteção à Natureza e Noite Feliz.

“A via passa muito rápido, quando a gente se dá conta já envelheceu sem conseguir realizar alguns sonhos, um dos meus era fazer um CD, comecei a juntar um dinheiro e meu marido me apoiou, minha filha Cecília me ajudou a selecionar as músicas. Os CDs custam dez reais e o dinheiro está sendo dedicado à Caritas para ajudar as pessoas”, conclui Zuleide.

Os CDs estão sendo vendidos na casa de Zuleide, que está localizada exatamente em frente à igreja de São Peregrino, na estrada da Floresta.

Juracy Xangai