Centro de Danças Fênix comemora 20 anos com um grande bailão no próximo sábado

Por Dell Pinheiro – “A dança? Não é movimento, súbito gesto musical. É concentração, num momento, da humana graça natural”. O poema “A Dança e a Alma”, de Carlos Drummond Andrade, representa para muitos, algo maior do que apenas uma expressão artística. Na capital acreana, o bailar, o movimento corporal ritmado, ganha cada vez mais adeptos. Em duas décadas de existência, o Centro de Danças Fênix, a primeira companhia de dança de salão do Estado, demostra que a paixão por essa forma de arte é majestosa, algo que atrai, e quando nos damos conta, já faz parte de nossas vidas.

“A dança para mim é uma expressão do nosso corpo, uma felicidade. Gosto de está com os jovens, de está ao redor de muita gente”, frisou dona Marina, mãe de oito filhos, avó de 26 netos e bisavó de dois – Fotos: Dell Pinheiro

Pedro Rocha, um dos fundadores da Fênix, falou que a paixão pela dança surgiu na infância. “Desde pequeno já gostava de dançar. Mas fui ter contato com a dança de academia quando fui fazer minha primeira faculdade em Minas Gerais. De lá, fui visitar o Rio de Janeiro e conheci a companhia de dança do Carlinhos de Jesus, no bairro de Botafogo. Então, comecei a frequentar as aulas dele. Quando terminei minha graduação voltei para o Acre, início da década de 1980, passei em concurso e fui trabalhar no serviço público, mas sempre com a vontade de montar um grupo de dança”.

Em 1988, Carlinhos de Jesus realizou um Workshop em Rio Branco. Na ocasião, o dançarino falou uma frase que serviu de incentivo para que Pedro fortalecesse esse movimento cultural no Estado.

Grupo apresentará 13 coreografias no Bailão de aniversário da Fênix

“Quando terminou o Workshop, Carlinhos me fez um pedido: disse para não deixa a dança morrer aqui no Acre. Pegamos o nome de algumas pessoas que participaram do evento e fizemos um grupo. Alugamos o espaço do Juventus para treinar os movimentos que tínhamos aprendido. Ai, logo na semana seguinte, um amigo meu João Esteves disse: Pedro, a minha irmã passou seis anos no Rio de Janeiro fazendo aula com Jaime Arôxa, que era a Bené Esteves, professora universitária. Conversamos e ela aceitou o convite para dá aulas na academia. Quando ela chegou trouxe um parceiro. Pronto, ‘casou’. Ela dançava muito bem, e seu parceiro também”.

Rocha comentou que Bené teve que retorna para o Rio porque seus filhos ficaram lá. “Como ela foi embora, pedimos que mandasse um casal de professores para nós. Ela mandou o Lideo e a Luana. Ele passou três meses com a gente e a Luana passou seis. Hoje, o Lideo é conhecido como um dos maiores professores de dança do mundo. Luana voltou ao Rio e ficamos com os alunos, uma média de 23 pessoas. Naquela época tinham os grupos que era o Energia e a Norma Tinoco, primeira pessoa a trabalhar com dança aqui no Estado. Até hoje ela continua com o seu grupo, boa parte das pessoas é do nossa escola”.

Renascer das Cinzas

Pedro explicou o porquê do nome Fênix. “Coloquei o nome do grupo de Fênix em 1998, foi nesse ano que a academia surgiu realmente. A companhia tem esse nome porque aumentava e diminuía, isso em relação a professores e alunos. Nosso melhor momento foi quando atingimos 270 alunos. Estávamos na Marcos Academia, na Performance, com uma sala na Ufac, e em uma outra academia perto do Imperador Galvez. Foi então que chamei os meninos para montamos uma escola de dança na Isaura Parente, local que ficamos por 17 anos. O período mais difícil foi quando os nossos professores, cinco no total, resolveram sair para montar outra escola, isso em 2014. Eles levaram os seus alunos. Ficaram na academia uns 38 alunos. Foi tudo um recomeço, por isso que o nome da academia é Fênix”.

O professor disse que nessa época, todos os parceiros decidiram romper a sociedade. “Todos os sócios decidiram fechar, inclusive o Paim. Então, eu e a Gleyci Ribeira, minha esposa, assumimos a escola. Tivemos prejuízo durante quatro anos consecutivos, seguramos todas as barras. Gastamos dinheiro do próprio bolso para manter o Centro. Quando viemos para a Livraria Paim fizemos parceria com o proprietário. Dai, voltamos para o ‘azul’. Hoje, a escola fica com dez por cento do que é arrecadado. Os outros 50% é para o sócio e 40% é para os professores. Fazemos tudo isso por amor a dança”.

Amor incondicional

O professor João Antônio Nascimento, 24 anos, falou de que forma surgiu à afeição pela dança, algo ainda muito novo para ele. “Tudo começou em uma postagem no Facebook. Uma amiga postou que tinham vagas para bolsistas na Fênix. Fiz a inscrição, fui à audição e fui selecionado. Depois de um ano como bolsistas, passei para o nível de auxiliar. Mas, uma professora precisou muito de um parceiro porque o cavalheiro que dava aula com ela não pode mais participar. Foi preciso ‘pegar’ dois auxiliares que tinham mais desenvoltura para assumir uma turma com ela. Ela me ensinou muita coisa sobre metodologia e também me ajudou com relação à condução e outras técnicas. A partir disso, já comecei a abrir mais turmas e fui treinando, até me colocar realmente no nível de professor”.

Nascimento comentou que nunca havia dançando, e que o primeiro contanto com a arte surgiu aos 19 anos, quando era bolsista na companhia.

“Nunca tinha saído para uma festa. O primeiro local que frequentei foi um baile da própria academia. Já tinha tido oportunidade de dançar, porém, nunca tive coragem. Na real, comecei a dança como uma obrigação. Ouvi de um amigo que ser professor de Educação Física sem sabem dançar é a mesma coisa de um professor de Matemática que não sabe a tabuada. Então pensei: tenho que aprender. No entanto, não me avisaram que viciava. Quando me dei conta, estava aqui todos os dias dançando. A Fênix representa 50% da minha vida, os outros 50% e no trabalho formal, dando aula na rede pública de ensino e com a família. Bolsistas, auxiliares, assistentes, professores e alunos, todos também fazem parte da minha família. Os vínculos que se criam dentro dessa hierarquia é algo que foge muito do padrão da amizade comum. A dança aproxima de uma forma muito expressiva. É uma entrega maior, uma verdade”.

De geração para geração

“Tivemos prejuízo durante um período, seguramos todas as barras. Gastamos dinheiro do próprio bolso para manter o Centro. Fazemos tudo isso por amor a dança”, declarou o professor Pedro Rocha

A bolsista Maxyne Cacau se tornou um incentivo para a sua avó, a aposentada Mariana Portela, de 68 anos. A matriarca da família Cacau contou que dança desde menina, ainda em sua cidade natal, o município de Tarauacá. Porém, em uma academia, é a primeira vez. “Já frequento as aulas aqui na Fênix há dois meses. Fui convidada pela minha neta e aceitei. Mesmo com algumas dores, porque ‘velho’ tem dessas coisas, estou gostando muito. Meu esposo não reclama, mas diz que não tenho mais idade para isso. Também já o convidei para vim porque dançávamos muito juntos. Quero aprender a dançar valsa. A dança para mim é uma expressão do nosso corpo, uma felicidade. Gosto de está com os jovens, de está ao redor de muita gente”, frisou dona Marina, mãe de oito filhos, avó de 26 netos e bisavó de dois.

Bailão

Para celebrar seus 20 anos, traduzidos no amor incondicional pela dança, a Fênix promove no próximo sábado, 13, o seu baile de aniversário, o Bailão. O evento, com início às 22h30, será realizado no Maison Borges. O show musical ficará por conta do grupo Eulles e Banda Caribe. Ingressos individuais (R$ 60) e mesas (R$ 240). Informações e vendas pelo telefone: 99961-4029.

“As pessoas podem comprar os ingressos na Livraria Paim, com os professores, auxiliares e com os bolsistas. As mesas também serão vendidas no dia, caso sobre alguma. Serão 13 coreografias com duração de uma hora. De todos os ritmos de salão. Será servido um prato de frios para cada mesa, além da venda de bebidas geladas e outros petiscos. Quem quiser levar bebida quente pode levar a vontade”, ressaltou Pedro Rocha.

O Centro de Danças Fênix fica localizado na Rua Rio Grande do Sul, anexo a Livraria Paim, Centro de Rio Branco. A academia oferece diversos ritmos de dança como o forró, bolero, samba de gafieira, soltinho, salsa, tango, zouk, calypso, bachata, kizomba e valsa. A companhia conta atualmente com 150 alunos divididos em 20 turmas, 19 professores, 17 auxiliares, 29 bolsistas e 16 bolsistas auxiliares.